A Aula Magna encheu-se para receber Neil Hannon e os seus The Divine Comedy, para uma bonita noite de conforto, indie disco e corações cheios.
A leveza dos passos de Hannon em cima do palco, a sua voz de barítono que nunca falha na suavidade, o charme com que interage com quem assiste e com quem está em cima do palco, as músicas que retratam maravilhosamente sentimentos universais, com uma força musical por trás, encanta qualquer alma mais amarga. Fossemos nós mais cínicos, diríamos que isto tem tudo para ser piroso e constrangedor (mas nunca é!).
Aparecendo em palco vestido totalmente de preto, com direito a chapéu e óculos escuros, Neil Hannon arrancou o concerto com “Achilles”, do mais recente Rainy Sunday Afternoon e o público de imediato ficou encantando. Dizíamos sobre este álbum “é o aconchego que falta, o agasalho perfeito para o bem estar geral da alma”. Ora, e desculpem a repetição das palavras, mas é um aconchego presenciar uma banda tão afável e que, claramente se diverte tanto quanto nós.
Passando por músicas do mais recente álbum, Hannon, sempre carismático, foi polvilhando o concerto com várias tentativas de falar em português (confesso que eu não percebi nada do que dizia, mas conta a intenção), enquanto se metia com o público com graçolas charmosas (“podem levantar-se, se quiserem. Se fosse eu, adormeceria nessas cadeiras”), nunca perdendo o ritmo das músicas.
O concerto foi sempre em crescendo, com momentos altos nos clássicos “At the Indie Disco” e “Absent Friends”, quando Neil Hannon pediu e as pessoas realmente se levantaram e dançaram, confirmando que a GenX está bem de saúde, e com o coro de vozes que ecoou pela Aula Magna nas “Our Mutual Friend”, e “I Like”.
Alguém mais cínico também poderia dizer que a setlist terá sido uma espécie de best of, mas seria injusto, uma banda com tantas músicas que sobrevivem ao passar dos anos, seria sempre um equilíbrio difícil de controlar (músicas mais recentes vs. músicas mais antigas), mas foi o que se sucedeu (e todos ficámos a ganhar).
Parte do aconchego que é o acto de ouvir Divine Comedy está na capacidade de Hannon cantar sobre temas comuns, amores e desamores, amizades, crescer e isso de ser adulto, de uma forma que não mete medo (ou mete o medo a um canto), que é acolhedora, quase como um abraço em forma de canção.
No fim do concerto, de coração cheio e com a sensação de termos partilhado uma noite entre velhos amigos (de referir que os Divine Comedy são uma banda que já passou várias vezes em Portugal), a apoteose firmou-se com as rendições de “Generation Sex” e “National Express”, em que ninguém quis saber das pequenas dores do dia-a-dia e dançou, dançou, dançou, expiando essas mesmas dores.
O concerto terminou com um encore já esperado, em ambas partes bonito e reconfortante, com “Songs of Love”, “Invisible Thread” e a maravilhosa “Tonight We Fly”, reforçando que todos precisamos (e merecemos) de um final épico e feliz.
Set list
Achilles
The Last Time I Saw the Old Man
Rainy Sunday Afternoon
Norman and Norma
Your Daddy’s Car
Bang Goes the Knighthood
A Lady of a Certain Age
At the Indie Disco
Neapolitan Girl
Mar-a-Lago by the Sea
Our Mutual Friend
I Want You
Bad Ambassador
I Like
The Heart Is a Lonely Hunter
Other People
Absent Friends
Becoming More Like Alfie
Generation Sex
National Express
Encore
Songs of Love
Invisible Thread
Tonight We Fly
Fotografias de Gonçalo Nogueira
![[capa] aula magna - the divine comedy - goncalo nogueira-7](https://i0.wp.com/altamont.pt/wp-content/uploads/2026/03/capa-aula-magna-the-divine-comedy-goncalo-nogueira-7.jpg?fit=3000%2C2000&ssl=1)






