Casa Capitão cheia, gerações misturadas e um nome maior da música brasileira: Marcos Valle voltou a Lisboa para arrancar uma nova tour e dançámos todos.
Assim que pusemos um pé no R/C da Casa Capitão, já sentíamos no corpo o burburinho do concerto que se antecipava. Não sendo a primeira vez da vinda de Marcos Valle a Lisboa (a mais recente foi em 2022, durante o Festival MIL, no antigo Musicbox), a verdade é que a Casa Capitão esgotou para receber o artista.
O concerto foi o primeiro da tour mundial (como o próprio o disse “Só podia ser aqui”), que passará por vários países da Europa, terminando pela América do Norte e Sul. Acompanhado por Renato Massa (bateria), Alberto Continentino (baixo), Dudu Viana (teclas) e Patrícia Alví (segunda voz – e mulher de Marcos Valle!), notou-se uma cumplicidade tão grande entre todos, que nem o facto de ser o primeiro concerto da tour nos fez temer o que poderia por aí vir.
Valle entrou em palco sob um mar de aplausos, enquanto Renato Massa e Alberto Continentino marcavam o passo e aguçavam o entusiamo de quem assistia. Sorriu, abanou a cabeça (com a sua farta cabeleira loira), sentou-se e deixou-se levar pelas boas-vindas que recebeu.
Marcos Valle é amplamente reconhecido por ser uma das vozes mais interessantes da Música Popular Brasileira e Bossa Nova, com uma carreira de décadas (os seus primeiros registos gravados começam nos anos 60), que mais recentemente conseguiu o entusiasmo das gerações mais novas, com as suas músicas serem “sampladas” por artistas como Jay-Z, Tyler the Creator e até o famigerado Kanye West. Isto notou-se bem na composição do público: há muito tempo que não estávamos presentes com um público tão diverso de idades, passando por todas as gerações: Z, Millennials e Boomers.
O facto de ser um público tão diverso fez com que fosse ainda mais interessante o facto de não termos visto uma alminha parada, aliás, muito se dançou e cantou nessa noite. Os variados corpos estavam preparados para, de forma mútua com a banda, receber e dar muita energia (e alegria contagiante). Foi uma noite em que o colectivo se sobrepôs ao individual.
Valle manteve ao longo do concerto uma presença serena, claramente a postura de alguém que faz isto há muito tempo (e que o faz com uma perna às costas), sabendo trabalhar muito bem o equilíbrio entre a sofisticação e leveza da Bossa Nova e transformá-la numa vontade louca de mexer o corpo.
Durante cerca de 1h30 fomos agraciados por um reportório extenso de MPB e Bossa Nova de Marcos Valle, que trouxe alegria, calor e sensualidade. Vimos pessoas muito felizes e contentes, a vibrar com cada música e a dançar como se não houvesse amanhã.
Setlist
Life Is What Is
Água de Coco
Vanda Vidal
Não Tem Nada Não
Garra
Arranca Toco
Fogo do Sol
Previsão do Tempo
Samba de Verão
Que Bandeira
Mentira
Online
Nem Paletó Nem Gravata
Estrelar
Parabéns
Bicicleta
Os Grilos
Fotografias de Rui Gato


















