Década e meia depois do último álbum de originais, os Black Crowes regressam como se nunca tivessem deixado de estar entre nós. Happiness Bastards não é um disco particularmente inspirado, mas para os fãs de sempre é um rebuçado que se temia impossível de saborear – e isso já não é nada mau.
Os irmãos Chris e Rich Robinson fizeram as pazes em 2019, depois de, em 2015, terem pela segunda vez terminado com os Black Crowes. Regressaram para assinalar os 30 anos do disco de estreia (com passagem em palco por Lisboa), editaram um EP de versões, e eis agora o décimo disco de originais, 15 anos depois do último tomo.
Happiness Bastards não vai desagradar ao fã clássico dos Crowes: é rock blues, cativante, coros femininos, guitarras, piano e voz. Canções simples, estruturas semelhantes às de momentos passados da discografia, um olhar pelo retrovisor muito presente – basta atentar na capa, que ‘brinca’ com a imagem de The Southern Harmony and Musical Companion, emblemática obra do grupo do começo dos anos 1990.
Posto isto, as notícias menos boas: já ouvimos os Crowes em melhor e mais consistente forma. “Wanting and Waiting” é um ‘single’ cativante, o fecho de “Kindred Friend” é delicado q.b., há soul, gospel, rock, tudo aquilo a que temos direito – mas faltam canções maiores que a vida, que o grupo sempre foi tendo em toadas mais aceleradas ou serenas.
Happiness Bastards é mais do mesmo – o que não é necessariamente mau. Ao vivo, contudo, não estarão aqui as faixas mais celebradas pelos adeptos. O regresso dos Black Crowes aos discos é uma das boas notícias de 2024. Um eventual novo grande álbum do grupo terá, contudo, de esperar.