Reportagens

Super Bock Super Rock 2019 – Dia 3

O Super Bock Super Rock 2019 despediu-se de nós com a Electric Lady Janelle Monáe, Masego e um DJ set triunfante de Disclosure

Chega ao fim mais uma edição do Super Bock Super Rock e promete ser uma despedida em grande. Logo no início da tarde Prof Jam e Mike El Nite (que também atuou mais tarde nesse dia) trouxeram o seu trap duro para o Meco. O embaixador questionável do auto-tune voltou ao Super Bock (talvez para tentar redimir-se do seu concerto morno no ano anterior), desta vez com um álbum às costas. O público foi brindado com os êxitos do costume, como “Água de Coco” e “Malibu”, recebendo-os com euforia.

Ainda não tinha o professor acabado de dar a lição, e já se podia verificar o êxodo para o palco EDP. Masego está na casa. O jamaicano serpenteou descontraídamente pelo palco, um artista que sabe claramente o poder que tem sobre o seu público. Começando logo com a sua clássica “Tadow” o público vociferou cada secção da música ao lado do artista. A linha que separava um ad-lib de uma interação com o público era ténue, uma vez que Masego passava de um para o outro de forma aparentemente aleatória e contagiante. O autor de Lady Lady teve ainda tempo de exibir os talentos da sua banda, dando-lhes espaço para solar (se o solo ficasse aquém, levariam uma chapada, informou-nos) acabando o músico também por se apropriar do seu saxofone e terminar o concerto com uma explosão de melodia.

De volta ao palco Super Bock, a electric lady Janelle Monáe deu um espetáculo para todos os gostos, com solos de guitarras vulcânicos, homenagens a Michael Jackson e muita troca de roupa. A artista americana, munida de excelentes canções que compõem o seu recente Dirty Computer não descansou um segundo, num concerto que não acalmou nunca. Infelizmente para ela, o público não pareceu estar entusiasmado. Possivelmente recheado de jovens que só queriam ver Migos, o concerto intimista e exuberante de Monáe deve-lhes ter parecido muito clean e seguro quando comparado com o trap pesado do trio.

Enquanto o palco EDP se tornava pista de dança com o deep house de Gorgon City o palco principal rendia-se ao trio de Atlanta. Após uma breve introdução que contou com trechos de músicas de Travis Scott os rappers entram em palco e não perdem tempo a incendiá-lo. Apesar de incluirem chamas e muito fumo nos seus concertos é curioso reparar que os Migos fazem deles mesmos o foco dos seus concertos. Na igreja do trap, os reis Migos trouxeram “Bad and Boujee”, “Hannah Montana” e “Walk It Talk It” e o público, rendido, cantou cada letra das músicas com a diligência de um crente.

Para fechar a noite, os Disclosure deram um senhor DJ set onde não faltou absolutamente nada: “When a Fire Starts to Burn” o remix de “You & Me” de Flume e “Latch”, com Sam Smith, todas elas foram tocadas num set triunfante. Apesar de, na prática, não soar muito diferente, não nos conseguimos deixar de perguntar porque é que se limitaram a fazer um DJ set em vez de tocarem as músicas em si, particularmente quando a sua discografia consiste em hinos de verão tão canónicos como os que tocaram nesta última noite do Super Bock Super Rock 2019.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Texto: Miguel Moura || Fotografia: Inês Silva

Comentários (0)

Escrever resposta

Your email address will not be published. Required fields are marked *