Mordaz contador de histórias, que faz da Língua Portuguesa a sua Pátria, o Senhor Vulcão está de regresso com dois novos maços de canções. Depois da aridez de Montanha, Canções do Bandido é uma erupção sofisticada.
Onde no primeiro disco as canções eram de Inverno a preto e branco, desta vez foi alargada a paleta, de cores e sons. Onde eram despidas e faziam frio, agora estão mais quentes, melódica e instrumentalmente mais ricas. Liricamente, mantém a acutilância e o esgravatar da língua, mas há mais brilho nos poemas.
Do preto e branco passamos para sépia e, cuidadosamente, para um universo a cores. E essa transição faz-se, enquanto se busca um amor perdido. As Canções que este Bandido canta são declarações de paixão, mas a mulher amada zarpou. Este disco conta-nos que bandido também sente. À falta de uma janela para serenatas, vira-se para o papel e escorre a dor. E o poder de uma canção pode muito bem sarar feridas. É nesse processo que as canções vão ganhando brilho.
Falar de um disco leva quase sempre a comparar com os trabalhos anteriores. Não é necessariamente mau, ajuda a contextualizar. E no caso deste Vulcão, os novos maços de canções merecem ser comparados com o anterior, para melhor se perceber a requintada evolução do escritor, do cantor e do músico.
Montanha, jorro semântico, era acompanhado por acordes ténues, que não distraíam a atenção da palavra cantada, às vezes falada.
Canções do Bandido é bem mais rico estilisticamente. Pode dizer-se que há mais Música aqui. Não se interprete mal, a palavra continua a ser o centro de toda a actividade vulcânica. Mas desta vez tem um pouco mais de riqueza à sua volta, teclados enfeitiçados – cortesia de Rita Redshoes, também produtora do disco.