Este foi o maior êxito comercial de Scott Walker. Com Scott 2 o ex-vocalista dos Walker Brothers chegou ao grande público com um trabalho que, em retrospetiva, não é o melhor de todos.
Não quero dizer que não seja um disco que não vale a pena. Como já tinha escrito Carlos Lopes sobre o primeiro trabalho a solo de Walker, é um trabalho mais de intérprete que de compositor, ainda com Walker a encontrar o seu espaço e com pisadelas um pouco fora do caminho. Arranca logo com uma versão de Jacques Brel (como não?) que por muito que custe, é melhor que a original. Se bem que Brel tem mais variação, esta orquestração com a bateria galopante nunca acalma nem baixa o tom e é de ouvir uma e outra vez. E segue logo com “Best Of Both Worlds”, composição original de Scott Walker, com cordas e tambores a criar uma balada que não estaria fora de lugar em discos posteriores.
Ainda estaria para vir Scott 4, onde todas as composições eram de Walker. Por agora, é uma miscelânia de inspirações que fazem deste disco um trabalho algo desequilibrado. “Black Sheep Boy”, por exemplo, é bastante esquecível (e eu assumo que tenho um problema com as guitarras da folk), mas “The Amorous Humphrey Plugg” e o seu ar de Tom Jones ou “Black Sheep Boy” remam no sentido contrário. “Plastic Palace People” e as suas cordas iniciais de filme da Disney dão lugar a uma canção algo inquietante, com vozes em eco que avisavam, de longe, uma falta de receio de experimentar. Esta é a canção mais diferente em todo o disco, mas lá está, só em retrospetiva podemos apreciar onde este incipiente experimentalismo levou a carreira de Scott Walker.
E ao mesmo tempo Scott 2 tem algo de conceptual, com temas em comum de amor e bordéis, como “Next” e “The Girls From The Streets”, e as já citadas “The Amorous Humphrey Plugg” e “Plastic Palace People”, que contrastam, por exemplo, com a xaropada que é “Wait Until Dark”, que parece ainda uma ténue linha que o agarra aos tempos dos Walker Brothers. Menos mal que “The Girls And The Dogs” volta à inspiração de Brel. É neste vai e vem que assenta Scott 2, com um Walker ainda a apurar a arte. Ainda assim é um disco que aguenta o teste do tempo e merece uma escuta, se não é o vosso primeiro ponto de contacto com Scott Walker dos anos 60. Para isso, ouçam antes Scott 4.