Um bocadinho de dor não faz mal a ninguém.
Não sei conjugar a lua. Ela está cada vez mais brilhante. E eu cada vez mais distante. A saudade não tem conta-quilómetros. E os que nos separam com o peso da bagagem e a força da geografia são os suficientes para fazer deste “Quarto minguante” a bússola do coração partido. Sim, é por aqui. E eu nem saberia ler uma bússola. Mas aprendia até com quem acha que não sabe nada.
A nossa pequenez não é anonimato; e o tamanho com que nos medem não será o mesmo tamanho dos nossos sapatos novos. Nem dos sapatos dos outros. Nem com vontade caberíamos todos neles, mas eu gostei de me ver com eles e gostava que gostassem também. Não sei se foi de um só jorro, mas sei que foi de fonte segura. Menos que tudo não seria Salvador Lobo Cão. Nem fera, nem manso. Só o coração em leilão barato. Não jogo a dinheiro, mas apostaria e voltava a apostar em quem dá o seu âmago ao desbarato. Nesta matilha, a partilha é lugar reservado. E para os sofredores resistentes, compreensão é prato gourmet. Pouso e, ousando, porto de abrigo. Se for com amor, até era capaz de acreditar nisto.