Sexistential é um disco de menos de 30 minutos, mas de onde conseguimos retirar êxitos imediatos para a pista de dança.
Oito anos depois de Honey, Robyn regressa com o seu novo trabalho, Sexistential, onde cabe um universo dançante. São apenas nove faixas, no registo eletrónico a que a artista sueca já nos habituou, mas com uma maturidade diferente nos temas das canções, nos arranjos e na produção. É um disco mais complexo, que aborda temas que não se esgotam nos amores e desamores, com canções cheias de energia e que soam imediatamente ao estilo de Robyn.
Temos um pouco de tudo aquilo que caracteriza a artista: batidas de pista de dança que carregam uma carga emocional intensa, influências de house e até de trance e uma abordagem synth-pop mais experimental e luminosa.
Apesar de longo silêncio no que a novos lançamentos diz respeito, Robyn manteve-se bastante ativa em colaborações com artistas ligados à eletrónica, como por exemplo Jamie XX ou Charlie XCX, o que também se reflete, de certa forma, na energia do disco que agora apresenta, contribuindo para que a sonoridade nos seja familiar.
A abrir temos logo a energia de “Really Real”, seguida de “Dopamine”, que se define bem o que vai ser o disco: euforia rítmica aliada a tensão emocional. A excelente “Talk to Me” arrisca-se seriamente a ser um dos grandes êxitos de dança deste verão, assente numa base electro-pop minimalista, com sintetizadores atmosféricos. Segue-se a faixa-título, “Sexistential”, mais conceptual, quebrando o ritmo dançável com uma batida desordenada que não é imediata.
Comparado com Body Talk, um dos momentos mais icónicos da carreira de Robyn, o novo disco partilha a vocação para hinos de pista, mas apresenta letras mais densas e reflexivas, menos imediatas e mais conscientes do seu enquadramento conceptual.
Relativamente a Honey, o disco anterior, marcado pela subtileza, a diferença também é notória, com uma maior propensão a canções mais tensas. Mesmo assim, permanece intacta a essência que sempre definiu Robyn: a capacidade de fazer da música de dança de grande qualidade e tornando-a num espaço de vulnerabilidade emocional para dançar.
Sexistential é um disco que não é tão imediato como os trabalhos anteriores e, sendo tão curto, não chega a envolver-nos completamente. Tem, contudo, algumas boas canções, que podem ser êxitos de pista de dança imediatos, como “Really Real”, “Dopamine” ou “Talk to Me”.
Robyn não repete a fórmula de sucessos passados e caminha para a desconstrução dessa mesma fórmula, mantendo sempre a sua identidade sonora. Foi mais um passo ousado para a artista sueca, mas que não foi suficiente para fazer um disco verdadeiramente marcante.