OUTRA VEZ ARROZ é o quinto álbum dos BALEIA BALEIA BALEIA, lançado no passado mês de Fevereiro (segundo o seu Bandcamp). Não se deixem enganar, o nome do disco pode levar-nos a achar que será “mais do mesmo”, mas não é.
Há muito que se discute se a música deve, ou não, ser política, ou abordar temas políticos. Claro que haverá sempre bandas que não desejam tomar uma posição em relação a isso (ouvimos e julgamos, sim), por isso é que é tão refrescante quando aparecem bandas como os BALEIA BALEIA BALEIA, que são muito vocais sobre o que pensam, sem qualquer pingo de refreamento ou receio.
A banda de Ricardo Cabral e Manuel Moleirinho tem um talento especial em conseguir juntar a onda mais rock, misturada com um punk meio sujo (em bom), com melodias cativantes e com letras que puxam por nós. Podemos dizer que são 35 minutos que nos deixam com vontade de mudar o mundo à nossa volta, seja através da revolta colectiva, ou de simplesmente mandar uns pontapés no ar (talvez a solução para isto tudo passa mesmo pela a adopção de mais violência, talvez…).
Arranca com a maravilhosa “ANTIFA AO CONTRÁRIO É OTÁRIO” (“Enquanto tivermos tesão, não passarão. Enquanto soubermos dar a mão, não passarão”), que nos impele de imediato para começar a saltar e gritar, com uma letra fácil de assimilar, que dá o mote para o resto do álbum.
Os títulos escolhidos não deixam margem de dúvidas: estamos cá para nos fazer ouvir e (tentar) criar uma vontade em vocês para colectivamente, andarmos para a frente com a revolução (que já se faz tarde).
Entre “SOBRESTIMULADOS”, “SUPER-AGROBETO” e o incrível “VAI CHAMAR-SE OVERTHINKING, OU SE CALHAR NÃO, TALVEZ SEJA MELHOR UM TÍTULO EM PORTUGUÊS”, é fácil de entender que há uma simbiose entre letras mordazes e ritmos acelerados, que funcionam na perfeição.
Este álbum mostra-nos uns BALEIA BALEIA BALEIA mais maduros e adultos, mas não aborrecidos, com muito ainda para dizer (ainda bem), sem deixar cair a sonoridade do rock apunkalhado, com letras e melodias potentes e que nos pedem acção. Vamos a isso!