Canção do dia

“You Take Nothing” – Ragana

Se o desespero tiver um timbre, pode muito bem ser o de Maria Stocke das Regana. O duo feminino de Oakland, Caliórnia, descreve-se no Bandcamp como “queer antifascist black metal/doom”, mas a agressividade da guitarra e bateria de “You Take Nothing”, assim como qualquer faixa do seu álbum de estreia homónimo, lançado em abril de 2017, é muito menos ativista do que aparenta a descrição – é apenas pura escuridão e desesperança.

Com guitarra e bateria, as Regana pintam um quadro depressivo com dedilhados de guitarra que acompanham os batuques de timbalões da bateria, e que ficam completos com os guturais reverberados de Maria – e tudo na lentidão possível do Doom, cuja única regra a respeitar é “quanto mais lento e distorcido, mais pesado”. “You Take Nothing”, grita estridentemente a vocalista ao longo da faixa de 6:29 minutos, com a morbidez esperada pelas famous last words de um qualquer moribundo, seguindo a linha do Black Metal suicida norte-americano  (DSBM, google it), como I’m in a Coffin ou Xasthur.

Em semana de regresso de chuva, e para quem quer esquivar-se das canções fofinhas de Natal, estes são 6:29 minutos para entrar semana adentro com o pé errado e a melancolia certa.

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