Aleluia que temos regresso de Perfume Genius. Este Glory é o sétimo disco editado pelo artista, e apesar de soar bem (como não?) não será por aqui que vai ganhar mais fãs. É ainda assim um álbum cheio de emoção, que os fãs vão desfrutar.
Com mais guitarras folk que o costume, Perfume Genius apresenta neste trabalho um som mais próximo do indie rock que do artpop de trabalhos anteriores, o que não quer dizer que tenha mudado radicalmente o seu som.
Aliás, na segunda canção, “No Front Teeth”, podemos escutar a voz de Aldous Harding num suave lamento antes de abrir a canção com umas guitarras que não têm medo de se fazer ouvir. As guitarras são a maior novidade neste Glory, a tomarem o palco ao piano habitual. E nesta canção sobretudo, que fica marcada por ser a mais diferente do disco, e uma das melhores.
Mas as sonoridades que o projeto musical de Mike Hadreas já nos apresentou antes estão lá todas. A voz suave em falsetto, as camadas de pads, as dúvidas, os corpos e a emoção à flor da pele. O que é difícil nesta altura, ao sétimo disco, é que alguma canção nos surpreenda de verdade.
Apesar das guitarras e esta onda um bocadinho mais indie rock, a canção que dei por mim a querer ouvir mais vezes foi “Capezio”, talvez pelo vibrato da voz e ambiente geral da coisa, e porque acho que Perfume Genius brilha neste registo intenso, emocional e intimista. “Left For Tomorrow” não fica muito atrás.
Obviamente que quando falamos de Perfume Genius há sempre algo que vale a pena ouvir, mas Glory, apesar de um ou outro assomo, não chega para ser um dos melhores discos do músico. Todas as canções deste trabalho podiam ser parte de um dos álbuns anteriores. E sim, é pena, mas também não é uma coisa assim tão má quando pensamos no nível que têm alguns dos álbuns anteriores como No Shape.
Glory tem notoriamente os seus altos e baixos, mas nem os baixos são tão baixos assim.