Numa festa feita com tradição familiar e popular, as Mães Solteiras vieram para “partir a loiça”.
Julho é altura das míticas “tasquinhas”. Cada vez mais, a aposta na programação incide nos gostos musicais dos jovens. A colocação do artista que está a “bombar” nos últimos tempos faz com que a atração cresça em força. E, com esta visão, as Mães Solteiras foram atuar às Festas da Arrifana, uma pequena aldeia situada no concelho da Azambuja. Abriram com “Pedra Fedelho”, música que abre o seu álbum Vamos ser Breves. Após esta breve introdução, seguiram-se três temas onde o entusiasmo do público se fez notar. O objetivo era claro: espalhar a mensagem de revolução e ação contra o crescimento da extrema-direita e tudo o que esta acarreta.
Vamos ser Breves, álbum lançado no início deste ano, traz uma abordagem temática que os seus contemporâneos Passa Montanhas dos Linda Martini e Viva La Muerte! dos Mão Morta trouxeram. Uma mensagem importante para a minha geração, a Geração Z, que muitos tentam silenciar. Cada vez mais, a proliferação de discursos de ódio, racismo, xenofobia e a carência de empatia social levam à erosão dos princípios de convivência e à ameaça à liberdade de expressão na nossa sociedade.
De seguida, apresentaram uma nova música, “Dá Licença”, que integrará o próximo álbum com lançamento previsto para outubro. Uma malha que me lembrou os Tara Perdida do início do milénio. Depois desta, vieram “O teu nome no edital” e “Sala de Espera”, músicas que nos fazem pensar sobre o estado político-social da nossa sociedade e do mundo. “Tu és Bué” e “Alcindo” continuaram o caminho do concerto.
Se há pouco falei sobre liberdade de expressão, nada melhor que uma versão do saudoso Zeca Afonso para explicar o assunto. “Era de noite e levaram” foi a escolhida. “Puxa Vida” fechou as estreias da noite. Entre as músicas, Quim Albergaria ia dizendo umas palavras que, de certa forma, explicavam o significado de cada tema.
Para finalizar a noite, vieram “Tique-Taque”, “Lembrete Amigável”, “Vem Devagar” e “Amor ponto corp”. Considerando a capacidade destes veteranos em envolver o público em euforia e dança de forma contínua, o resultado alcançado foi extraordinário: uma onda de entusiasmo que abrangia desde os mais jovens aos mais velhos. A conclusão da apresentação no palco foi seguida pela canção “Vamos ser Breves” no sistema de áudio, corroborando a curta duração do espetáculo.
Texto e fotografias por António Gomes (aka Toni do Rock)













