Heihaizi, W€€DCOC@ e uma boa centena de defensores da liberdade desceram as escadas do Vortex para celebrar o 25 de abril com riffs pesados, ritmos cheios de groove e cravos bem vermelhos!
Por motivos demasiado tristes para aflorar numa crónica musical, durante quase 2 meses não pude fazer uma das coisas que mais alegria me traz à vida – ir a um concerto de música ao vivo: fotografar, ouvir e sobretudo sentir a transpiração sónica e criativa partilhada por banda(s) e audiência. O regresso, que imagino lento e gradual, teria que ser necessariamente iniciado no Vortex, onde tal como no saudoso Cheers descemos as escadas para um local de afectos onde (quase) “todos sabem o teu nome”!
Quis o destino ou a mãe de todas as coincidências que o regresso fosse feito no dia 25 de Abril, o aniversário da Revolução, a marca da Liberdade e um dos mais simbólicos (se não o mais) dia de festa do ano. Ao contrário da maioria dos meus companheiros de cave, não pude descer a avenida, mas descer as ditas escadas contribuiu para que pudesse entrar na festa e sentir o seu bálsamo reparador.
Ainda que em registos, arriscaria, bastante diferentes, as bandas que animaram as hostes no passado sábado, mostraram níveis igualmente altos de festa e liberdade no sangue. Em estreia absoluta em cima de um palco, os lisboetas W€€DCOC@ deram um concertaço de fazer inveja a muita agremiação musical com muitos Kms no respectivo tacógrafo. Inspirado pelos míticos (e recentemente regressados) Acid Bath, o quinteto anda a apurar uma mistura onde a caiena é substituída pelo piri piri. Não se perde picante, não se perde groove nem peso nos riffs viciantes das guitarras. Estava mesmo a precisar deste som, obrigado!
Os primeiros minutos do trio croata Heihaizi transportavam-me quase imediatamente para outra banda mítica dos Estados (des)Unidos da América – os Beastie Boys. Os zagrebinos misturam vocalizações rapadas, num diálogo contínuo entre o guitarrista e o baterista, com sonoridades mais próximas do rock, do punk e até do stoner … e tudo muito orgânico. À medida que a atuação avança, vamos perdendo a imagem do trio nova iorquino e entrando no imaginário mais próprio destes mediterrânicos. Recomendação para momentos de falta de energia: um café mais uma visita ao bandcamp dos Heihaizi para uma audição de Big & Deep (2025). Não é propriamente um bagaço, mas protege o fígado e faz bem aos ouvidos.
Fotografias de Rui Gato





















