Um festival que demonstra que a vontade de um grupo de amigos pode de facto ter um impacto maior – o Glória ao Rock está incrível e recomenda-se.
João d’Argent não é escritor, crítico ou connaisseur sequer e quer deixar, logo à partida, o seguinte aviso:
Antes de começar esta demanda lírica, quero que fiquem a saber que isto não passa de um devaneio escrito sobre as minhas experiências pessoais no festival Glória ao Rock que se deu entre 19 e 20 de Junho, na Glória do Ribatejo. Não assisti a todos os concertos e a minha veracidade destes eventos não é debatível. No entanto, são livres de pensar como eu.
Há sempre uma incerteza que paira sobre todos nós, seja ela sobre como lidar com a vida sendo uma pessoa após os 25 anos com o lóbulo frontal completamente desenvolvido, a incerteza de trabalhar como freelancer e não saberes onde vais estar no próximo dia, a incerteza da descida do preço dos combustíveis mesmo depois dos Estados Unidos terem assinado a sua rendição incodicional e feito a retirada do estreito de Ormuz, e no meu caso se ia de facto ao Glória ao Rock pela minha primeira vez.
“Anda, o cartaz está bué fixe”; “Epah, devias tirar uns dias só para curtir”; “Bora, o não-sei-quantos já comprou bilhete e vai”; “Bora acampar, vai saber bem”; “Brother, o cartaz ESTÁ MESMO FIXE”…
Acreditem ou não, estava inclinado para ir mas ainda não estava decidido, faltavam ainda duas semanas e estava numa sala de ensaio com duas bandas amigas em Alfragide. Há uma mística qualquer nas salas de ensaio e estúdios, especialmente aquelas que se encontram enterradas sob toneladas de betão e estruturas de aço. É um conceito novo, não sei se conhecem, chamam-lhes: garagens. Uma das bandas das quais tinham o privilégio da minha companhia voltou a mencionar o Glória ao Rock. A banda formada por amigos joga aquela carta de: !Estás a pensar ir não estás? Já te ouvi a mencionar que se calhar ias. Bora lá, nós tocamos na sexta, assim podíamos ir todos juntos!. Conclusão? Cedi ao que já queria. Em menos de 15 minutos, entre amigos, cerveja, cigarros e piadas toscas, não fosse isto ser um presságio, combinamos o nosso fim-de-semana para o Glória ao Rock, em Glória do Ribatejo.
Agora vem a parte engraçada: Na semana do festival decido que fico a acampar com amigos. Lá vou eu tratar de logísticas. Tenda? A única que ainda tenho é uma guerreira com quase a mesma idade que eu. Penso que das últimas vezes que levei esta pobre coitada para um festival foi para o Sudoeste (para quem não sabe, ou não tem idade para se lembrar, o festival Sudoeste outrora foi bom, está bem?) Colchão? Yeah right… Encontrei daqueles de espuma que para quem está a entrar nos 30 é uma sentença para dores de costas. Conclusão? No dia que abalei para o festival tive de ir àquela loja que começa por “D” e acaba em “echatlon”.
Assim começa a minha viagem. Sexta-feira tudo menos santa sigo viagem da zona de Lisboa para Glória do Ribatejo, num dia que estava tudo menos frio. Encho o depósito a preço de ouro, obrigado imperialismo, Google maps, e azimbora. Uma viagem que apesar do roçar com calor do inferno, ao menos não é calor de Beja, é uma viagem linda, nem parece que o festival está a uma hora e pouco de Lisboa. Os planos são: juntar-me com os meus amigos que vão tocar nessa noite, montar a tenda e ir curtir. Ao chegar, passo pelo acampamento e vejo logo um amigo da organização a trabalhar pelo acampamento, apito numa forma de o cumprimentar, mas devido à distância que estava, a reação dele ao não me ter reconhecido foi a que qualquer pessoa sensata teria, que foi pensar: “Quem é que é aquele parvo a passar aqui a apitar?”. Sigo de carro para o recinto que nunca tinha conhecido e que fica a quatro minutos a pé do acampamento. Sim, eu sei, não valia a pena ter levado o carro, mas eu não sabia na altura que o recinto e o acampamento eram tão próximos. Estaciono o carro no centro de Glória do Ribatejo, vila pacata no Ribatejo, que vim a descobrir que é um oásis de cultura, e vocês também estão prestes a descobrir.
Ao chegar ao recinto, que ainda estava fechado, vou em direção ao backstage onde os meus amigos, que iam atuar, estão à minha espera. O Sol está forte que dói, mas encontro refresco nas caras conhecidas de pessoal amigo profissional da área da música e artistas, e em cerveja também, vá…
Ao chegar ao backstage, os meus amigos, têm a servir de camarim a sala da sede da Associação Febre Amarela, a qual organiza este festival por 25 edições. Surreal, eu sei. Ao chegar dá-se abraços, palavras bonitas, trocavam-se sorrisos e brindes cúmplices e dou por mim a analisar os 24 cartazes das edições prévias deste festival. É nesse momento que me deparo com o meu sentimento de respeito pelo trabalho de descentralização e associativismo que este pessoal e todo o que veio antes tem feito e está a fazer. Para alguém de um sítio descentralizado e isolado como eu, dou muita importância, reconheço o esforço, resiliência e trabalho que é necessário.
Queixamo-nos do calor, bebemos cervejas, fumamos cigarros à sombra, contamos piadas toscas, vão aparecendo amigos de outras bandas e de vários pontos do país, amigos que nos vamos encontrando principalmente neste tipo de eventos. Ali reunidos para celebrar o róque. Do nada, a zona do backstage estava repleta de caras familiares, felizes e suadas, a matar saudades. No entanto tenho que ir montar a minha tenda, e todas as pessoas ali também tinham que fazer. Cada pessoa segue para sua respectiva função, uns descansar, outros lanchar, outros trabalhar. Eu? Peguei dois dos meus amigos que iam tocar nessa noite e fui no meu carro comercial montar a tenda com eles. Um carro comercial só tem dois lugares, então um deles foi a curtir o espaço reduzido do meu porta bagagens durante dois minutos até ao acampamento. Somos bué do roque.
Ao chegar ao acampamento de uma enorme viagem de 400 metros, encontro logo um lugar à sombra. Eu com a mania que percebo da natureza, começo a analisar de onde o Sol nasce de forma a montar a minha tenda num sítio onde de manhã não apanhe com aquela luz que traz com ela aquele calor que transforma uma tenda num forno solar. Nisto tiro o meu amigo do porta bagagens, e como agradecimento eles ajudam-me a montar a tenda. Após montar a tenda, meto os meus mantimentos e objetos que me vão proporcionar conforto naqueles próximos dias.
Fui também com a missão de guardar um espaço para os meus restantes amigos que são engenheiros, arquitetos e com trabalhos que proporcionam um salário fixo ao fim do mês em troca dum nine to five. Sendo sexta-feira eles só abalavam de Lisboa pós horário laboral, então garanto-lhes um espaço ao lado da minha tenda, estacionando lá o carro.
Hora então de vaguear por entre amigos, fazer novos, ouvir soundchecks, combater o calor com cervejas e cigarros à sombra, e perder-me nas horas até à hora de jantar. Oh não, nisto, já estou meio empascado e são horas de papar, os meus amigos tocam mais logo e o primeiro concerto começa às 21h, daqui a uma hora. Vamos comer comidinha que estava acabada de fazer por quem eu suponho que sejam as senhoras mais fixes da Glória. Uma refeição de sonho para uma noite cheia de roque que se estava a aproximar. Não vou entrar em detalhes porque senão teria de começar outro artigo culinário que iria pôr o Tasqueiro sem trabalho. E tenho de me despachar porque as Lesma tocam às 21h. Bebo um café e um digestivo rápido com um amigo e sigo para o primeiro concerto.
As Lesma entram num palco escavado no edifício daquele jardim público, numa hora em que o Sol finalmente se começava a pôr, com um público ansioso para as ver. O primeiro concerto do festival, e que grande primeiro concerto. À minha volta não via ninguém sem um sorriso na cara ou a não cantar as letras desta jovem banda formada por três jovens que são do Barreiro, Setúbal, Sesimbra, Santarém, Lisboa ou todo o lado. Adorei a minha primeira interação, que eventualmente seria muitas, com um público que era composto de várias faixas etárias e backgrounds. A um certo momento em que as Lesma incendiaram o público e solta-se um moche, um humano pequeno com poucos anos de vida, que me chegava à cintura, passa contra mim despreocupado para se juntar ao frenesim que se dava mesmo à minha frente. Foi um dos momentos que me marcou. Com o Sol já posto seria de esperar que ficasse mais fresquinho, mas claramente as Lesma não deixaram que isso acontecesse. É de espantar de como esta banda, que apesar de sua juventude, consegue ter um à vontade e criar um diálogo com o público que não se vê em todo o lado. Ao lançarem a já icónica Barreiro como última, o público rugiu, demonstrando a vontade e fome que tinham por concertos ao vivo neste festival que ainda agora começava. Este primeiro grande concerto também pressagia o que se avizinha relativamente a concertos. Não deixaram as Lesma sair de palco sem tocarem um encore, que soube àquele cigarro depois de uma grande refeição.
Logo após Lesma, ecoa do outro lado do recinto uma multidão que sabia o que aí vinha, rapidamente atravessaram para o outro lado, concentrando-se no outro palco. Sou fã deste modelo de dois palcos, frente a frente no recinto, um acaba, outro começa, um uroboros musical. Um jogo de ping-pong sonoro, taca-taca de concertos.
Quando estes fins de concerto se dão no Glória, é dado o tempo ideal para o público cruzar o recinto dirigindo-se ao outro palco, passando pelos bares que ficam no meio. A logística ideal para se combater a sede e a garantia que nenhum concerto se perde. O que não é o meu caso porque sou desvairado. Mas já aí chegamos.
Por falar em chegar, os meus amigos chegam durante o final de Lesma. Lá foram eles também montar as suas tendinhas junto à minha. Viva às amizades, que entre estas demandas entre-palcos se juntam a mim e aos restantes.
Entra em cena Marquise. Se Lesma é uma banda jovem, Marquise uma banda jovem o é. E como Lesma, Marquise chega e toma o espetáculo pelas rédeas. A atitude e energia nesta nova geração de músicos portugueses é de louvar. Deve ser algo que puseram na água canalizada após o Euro que perdemos em casa. Neste palco, um pouco maior de dimensão, situado no ringue desportivo em campo aberto da vila, enche-se de público rapidamente.
Há uma frase que circula no circuito, não de minha autoria, que é assim: “Os Marquise estão para a nossa geração como os Clã estiveram para a deles”. Qualquer pessoa que já tenha visto a banda de post-rock conseguirá relacionar-se com esta citação, no entanto sinto que eles são muito mais que isso. Vagueando na minha bebedeira sónica, houve momentos em que senti essa clara influência daquele rock português dos noventa, com umas pitadas grungie de uns sei lá, Dinossaur Jr. talvez… Isto tudo entregue através de uma excelente banda a nível técnico e performativo, com voz delicada mas afiada. Gostei.
Dá-se o final e o público vira costas e fica de frente para o outro palco. Lá se dá a marcha dos pinguins até ao outro lado do recinto e voilà, novo palco com outra banda prestes a tocar. O Duchamp iria ficar entusiasmado neste festival com os concertos ready-made. Perceberam? Ready-made? Duchamp? Após uma piada que um macho performativo faria, sigamos com o artigo sobre o Glória ao Rock.
Para começar, Iguanas, peço desde já desculpa pois não assiti ao vosso gig na íntegra. O pouco que vi vou deixar aqui e seguirei com o porquê de não ter visto na totalidade. Do que vi do duo bem disposto de Lisboa é que conseguiram pôr o público a dançar e a cantar algumas das suas músicas. Visto que vi pouco do concerto deles, através do meu conhecimento empírico concluo que tenha sido assim maior parte do gig. Gostei do formato cúmplice entre eles, e como conseguiram despejar isso no público. Uma fusão pop-post-rock ritmou aquele público. Pelo menos assim me pareceu.
Ora bem, não consigo desenvolver muito mais sobre Iguanas porquê? Porque tive de ir buscar cerveja. Eu sei, eu sei, péssimo, mas não consegui gostar da cerveja que lá tinham no recinto, a stout bebia-se mas a imperial, meu Deus, para mim não estava a funcionar (Xarlie, não és tu, sou eu. Acredito que algum dia possamos chegar a um entendimento, mas até lá, sinto que não sou maduro o suficiente para trabalharmos nas nossas diferenças. E sendo homem, não sabendo lidar com os meus sentimentos, tive de me afastar de ti e cair no conforto fortuito que é: cerveja de backstage). Lá fui eu até ao backstage, a fugir dos meus problemas, a fugir do compromisso com a Xarlie.
Volto a encontrar as pessoas com quem tinha partilhado momentos durante a tarde e, previamente na vida, momentos assim. Lá estávamos num páteo, agora mais fresco, pois a noite já se tinha estendido fazia algumas horas, entre amigos, a beber cerveja, fumar cigarros, fazer piadas toscas e a matar saudades. Na hora de ir buscar outra cerveja, estava próximo de um camarim de uma banda amiga a qual me convidam a tirar uma cerveja de lá, quem sou eu para negar? O meu avô sempre disse, quando oferecido, para casa, até pedras. Então lá aceitei. Fui com um membro dessa banda, ao sair do camarim com uma cerveja a pessoa desabafa-me: “Fogo man, tinha saudades tuas. É pena que só nos encontremos em eventos assim” O que é verdade. Para muito pessoal que corre o circuito das coisas com mais carinho que levamos são estes momentos e interações, com outras bandas, colegas, produtores, locais. Estes momentos em que conheces outras pessoas que fazem o mesmo que tu, que têm as mesmas batalhas que tu tens, que partilham tantas tormentas nesta área precária como tu. São festivais como o Glória, que apesar da responsabilidade cultural que têm, conseguem reunir grupos de profissionais desta indústria (e sim, vou chamar indústria porque apesar de ser pequena se não a virmos como tal nunca vamos profissionalizar e ser levados a sério) que apesar de precária, reúne muita gente boa, muita gente sonhadora e muita gente que através de sangue, suor e lágrimas conseguem criar. Seja matéria prima como a música, sejam os festivais onde esta é tocada. São estes os verdadeiros escritórios da cultura que é feita pelos nossos pares.
Devaneio em sentimentalismos mas a Femme Falafel vai tocar e começo a ficar nervoso porque os meus amigos tocam a seguir. No palco maior, aquele que é no ringue, começam a soar temas bem groovy, felizes que me deixam com vontade de abanar a raba. A Raquel é mais experiente na vida da música que as bandas anteriores a Iguanas. Ganhou o Festival do Alvim, o Termómetro, já faz três anos, foi nomeada para os prémio play, mas para mim, o que indica uma banda experiente e num bom caminho no circuito é: Tem uma página Wikipédia. Quantas bandas Portuguesas jovens têm wikipédia? Pois…
Já a abanar a raba e a sentir os grooves da superbanda que acompanha Raquel, Femme Falafel transporta-me para uma danceteria nos anos 80. A roupa preta de gajo do roque que eu visto dá lugar a calças boca de sino e camisas coloridas, a patilha cresce em mim e de repente o meu cabelo parece que sai de uma série da RTP dos anos 90. Sem querer acabei de descrever uma pessoa da Cuca Monga… Vamos lá ter calma então. A coisa mais certa que posso dizer de Femme Falafel é que de facto, é um excelente espetáculo. As letras são engraçadas, ritmadas, catchy e as composições que fazem com que o bater de pézinho suba à cintura. Banda ultra competente, e energia imaculada. Se ainda não viram, vão ver.
De volta ao palco escavado começa a ecoar de uma forma repetitiva aquele clássico som amarelo queimado do Sol que é a Family Frost: ‘’Doo Duhrooo Duhroooo Duhriiiiiiiiii’’. Nisto entra em palco um arauto do devasso que dá um rant sobre medronho e apresenta a seguinte banda, OKA. Ao ser apresentada, a banda vai entrando, primeiro o guitarrista e vocalista, depois o baterista e vocalista com sua máscara que remete para um coelho crossover de Gummo e Donnie Darko, e finalmente o baixista. E como a banda sobe ao palco, as pessoas começam a aproximar-se deste, abrindo as baias a pedido do apresentador. Separam-se as baias como se separou o mar vermelho, mas ali não está Moisés, está um demo qualquer, porque assim que a banda é apresentada e o arauto salta de palco, dá-se uma tempestade sonora que embate nas pessoas que invadiram todos os centímetros de espaço até ao palco. Descreveria a banda como noise punk, mas sinto que é um bocadinho mais pesada que isso. Não tenho bem uma definição sem ser “grã grã grã”. Fuzz, distorção, reverbs, delays puxados a 11 no volume. Juro que se entendesse alguma coisa dita nas letras que são gritadas de uma forma ritmada, que cantava com um dos vocalistas.
Apesar de termos sido feitos reféns por uma banda que não parou de tocar do início ao fim, entre os flashes de strobes vi sorrisos irrequietos e corpos flutuantes. De onde o público estava inicialmente, as baias, agora deram lugar ao moche, até ao palco de onde a nova plateia era composta por escadas largas. O público parecia um refogado de cebola e alho bem picados em azeite a ferver. O meu cheiro era semelhante também. Acabei de ser cozinhado pelos Oka e estou completamente ok com essa situação. A meu ver uma das bandas mais interessantes que surgiram nestes últimos tempos. No fim do concerto de Oka, o trio abraça-se e sabemos o que se avizinha, o próximo concerto, e neste próximo concerto, tal e qual como os Oka se abraçaram sabia perfeitamente que era isso que todos íamos fazer a seguir no próximo palco.
Chegou a altura de dançar, chorar e cantar ao som de Conferência Inferno. Junta-se o aglomerado dos festivaleiros do primeiro dia para um último espetáculo, o cansaço não acusa, escondido por detrás do entusiasmo do que estava para vir. Rodeado de amigos, conhecidos e de outras pessoas que nunca tinha visto na vida. Espero à frente de um palco vazio. Até que entra o trio do Porto. As primeiras notas atravessaram-me a espinha, ativando o que tinha vindo a ficar dormente com a quantidade absurda de cerveja que já tinha passado por mim. Os Conferência Inferno têm um lugar muito especial no meu coração e nos que me rodeiam. As batidas conduzem os sintetizadores que me rasgam, ao mesmo tempo que sou confortado por letras que são proferidas com uma intensidade que parecem o eco de um grito distante. Estou ali entre amigos, reconfortado pela presença destes, que como eu se reveem numa mágoa, mas que ao mesmo tempo, numa felicidade da existência de tal camaradagem. A meu ver Conferência Inferno sempre foi isto, um lugar onde posso deitar as mágoas cá para fora, lado a lado dos meu iguais, e desta vez não foi diferente, isto dito no melhor dos sentidos. Foi uma hora de montanha russa emocional.
Acabando o concerto é hora de ir queimar os últimos eletrólitos da cerveja para o Dj. Recompomos a postura e lá vamos nós, só que ao chegar, eu e o meu grupo de amigos deparamo-nos com um grave problema, o som do DJ não está ao nosso agrado (a culpa não é tua DJ), e nós queremos muito muito continuar a festa… Oh não… O que é que vamos fazer agora? Estamos sedentos de estar embebedados em grupo a ouvir música! As nossas cabeças trabalham em conjunto para arranjar uma solução, se duas cabeças trabalham melhor que um, imaginem dez cabeças alcoolizadas… Neurónios chocam fora das cabecinhas pensadoras… O que é que faz sentido depois de uma noite em que existem mil inimigos do fim…? Uma palavra, efeito dramático para quem se está a preparar para ser um velho do Restelo, AFTER.
No meio da confusão da retirada, soldados feridos conseguem reunir mantimentos para a fuga, o fumo das explosões causam uma debandada geral, ninguém está no comando mas todos sabem para onde se retirar. O quartel general do acampamento. Combatentes do roque são carregados, fumam mil cigarros como se fossem os últimos, porque nunca mais poderemos vir a saber qual é o sabor do cigarro. Houveram guerreiros que conseguiram reclamar espólios alcoólicos e munições sonoras para que os bravos soldados pudessem ficar descansados pelo menos mais umas horas até à derrota inevitável que veio ser o nascer do Sol. Rezam as crónicas dessa noite, que houveram bravos e bravas combatentes que resistiram até às fatídicas dez horas matinais de Portugal Continental (ficaram mesmo, eu consegui ouvi-los da minha tenda, mas como não sou um ressabiado não me queixei, longa vida à boa disposição, que ela viva para sempre porque a vida fora disto é enfadonha). Saudações para estes homens e mulheres, não só meus vizinhos de acampamento, mas companheiros de luta, para uma vida mais boémia.
Ora pois bem, um dia e noite bem longos, dá azo a uma “manhã” complicada. Apesar de ser um mestre a analisar a Natureza, e ter conseguido deixar a minha tenda num lugar onde o Sol não me torrava, existe algo que estava fora do meu alcance, o meu corpo a pedir por água, a temperatura ambiente e ainda um acordar em que estava meio tocado da noite anterior. Acordei, como os meus conterrâneos dizem, apalpadinho. Uma missão de facto, apanhar os meus cacos de forma a voltar a ser funcional. Parecia que estava a montar um lego depois de ter caído ao chão.
Primeiro passo beber água, para combater a desertificação que o álcool e o calor criaram em todos os meus canais. Até o pestanejar se arrastava. Tendo alguma água no corpo para refrigerar o motor permite-me sair da tenda e como os meus antepassados caçadores-coletores do rock, encontrar comida. Assim foi, no meio do eucaliptal eu vi a minha presa, um saco do lidl à sombra, numa gruta habitada por um urso adormecido (a tenda do meu colega), através de muito esforço e perícia consegui caçar uma banana e uma tangerina para que o consumo destas me trouxesse de volta à vida. E trouxe mesmo. Já estava capaz de como os meus antepassados (mamutes) nómadas, migrar até outras pastagens. Espero o acordar e chegar do resto da manada, e ao primeiro raiar do Sol das 13h seguimos para o nosso brunch de campeões.
Encontrada a pastagem ideal (Tasco Recanto do Glória), tornamo-nos sedentários na esplanada. Uma primeira leva de tostas mistas e pães com chouriço reconfortam barriguinhas. Segue-se caracóis, saladas de polvo e de ovas acompanhadas de um jarrinho de tinto (mãe, se estás a ler isto, juro que ia acompanhando com copos de água, (ia mesmo)). A moral que tínhamos perdido com a batalha que todos nós perdemos na noite anterior, com a chegada do Sol, fora restaurada, e um lindo dia estava pronto a ser aproveitado. Durante o nosso humilde brunch, estivemos a analisar o plano de batalha. Qual seria a praia que mais renderia naquela tarde. Após a consulta de vários nativos da terra chegámos a uma conclusão, PRAIA DOCE.
O plano é simples:
Ir à praia, chillar, pescar e voltar
O plano concretizado:
Ir à praia, perdemo-nos nas horas, pescar, perdemo-nos nas horas, jantamos, voltámos
Spoiler alert, perdemos a programação da tarde.
Lá regressamos em direção à nossa aventura. Entramos no carro, Britney Spears a tocar, e para a praia vamos nós. Finalmente a brisa das janelas abertas trazem um fresco e uma calma que estávamos a precisar. Uma tarde relaxada, a conhecer as redondezas, a usufruir ao máximo do que este festival tinha para nos dar. Quase a chegar à praia, passamos por uma placa que dizia Escaroupim. Este nome trouxe-me memórias do passado. Há quatro anos que por lá passei, fui fazer uma reportagem fotográfica sobre o estuário do Tejo. Sabiam que existem cavalos selvagens nesta zona? E que estão em ilhas no meio do Rio Tejo? Que existe uma ilha chamada a Ilha dos Amores, onde jovens casais iam para lá namorar e fazer festas? Que ali perto tem o melhor ensopado de enguia? Os meus amigos não sabiam e paparam uma seca sobre todos estes factos interessantes. Achei bonito que este festival me tenha trazido até ali, só bons momentos e que me tivesse desenterrado mais ainda. Não sabia que estava tão perto de um sítio tão bonito que tive tanto prazer em conhecer quando o descobri pela primeira vez. Obrigado Glória ao Rock.
Chegando à praia eu e um companheiro decidimos que vamos pescar. O rio Tejo encontra-se a nossos pés, existem canas no carro, e o meu amigo, ao contrário de mim, é virtuoso na pesca de rio. Lá ele monta as canas, com detalhe, de uma forma automatizada, rítmica e cuidada, um mantra a ser cantado, escolhemos a isca, pomos material às costas, descemos até ao rio vazio, e seguimos viagem a pé. Os nossos amigos ficaram à sombra das árvores a dormitar, descansem guerreiros. O rio está vazio, cheio de cascas de amêijoa a substituir seixos, e nós a caminhar sobre elas, em direção a um meandro (curva natural de um rio, para quem não se lembra de estudo do meio), que faz uma pequena praia de areia, onde três águias pesqueiras peneiram à procura do mesmo que nós. Lá ficamos perdidos no tempo, em companhia do silêncio, por vezes quebrada para comentar algo sobre pesca, a observar a natureza que nem repara na nossa presença (sim, não pescámos nada, podem ficar descansados, hippies).
Passa o tempo na Natureza e ela tem os seus ritmos, como a enchente da maré. A enchente não é progressiva, quando começa a encher, enche logo bastante, por isso assim que demos por esse momento foi altura de abandonar o local onde estávamos para que pudéssemos regressar às nossas margens em segurança. Seguimos desta vez com água mais acima do que com a qual tínhamos ido, no entanto uma quantia segura ainda, não é desta que apareço a boiar no rio, ou como o Luca Brasi a dormir com os peixinhos. A caminho ainda vimos uma tágide, mas não sei se era os efeitos colaterais da noite anterior, e se fôr, deixo essa história para o meu diário. Regressados à margem sem peixe, mas com vibes completamente imaculadas, deparamos-nos com os nossos colegas a jogarem Cidadelas, um jogo de cartas espetacular. Os nossos amigos, descansados e bem dispostos, a sorrir e a falar, a partilhar um bom momento. Vou guardar essa imagem bonita para mim durante algum tempo.
Do nada são quase horas de jantar ao que me lembro, ENSOPADO DE ENGUÍAS. Alinhamos todos e numa correria estamos outra vez dentro do carro, estava sem bateria no telemóvel então não conseguia verificar as notas ou sequer lembretes com o nome do restaurante. No entanto, sendo desenrascado como sou tive uma ideia. Voltar ao porto de Escaroupim passado quatro anos e ir ao negócio de passeios cénicos de barcos com o qual fiz o trabalho de reportagem na esperança que se lembrassem de mim e que me soubessem indicar o caminho como tinham feito previamente. Ao chegar ao Escaroupim somos enfrentados por uma festa de motards. Nunca vi tantos fãs de Xutos. Saio a correr do carro em direção à loja dos passeios de barco na esperança que não passe a Homem do Leme, não quero ouvir uma matilha de gajos bêbados que acham que xutos é o apogeu do rock a cantar. Dou uma cambalhota à Solid Snake para dentro do estabelecimento e para meu espanto, o rapaz lembrava-se de mim! Foi um momento querido, breve mas daqueles em que se dá um aperto de mão caloroso e que o “Tudo de bom!” é mesmo sentido. Retorno para a minha extração quando vejo o carro estacionado, e ainda bem! Podemos apreciar aquela margem mais um pouco, é um sítio lindo de morrer que por nenhuma razão em específico guardo com muito carinho. Mas temos de seguir viagem, a fome é muita e ainda temos de tomar banho ao chegar! Seguimos para o restaurante que não vou divulgar o nome porque não sou daqueles gajos do instagram que se acham TASQUEIROs e que só acabam a estragar a experiência local.
Ao chegar fomos informados que não é altura de comer enguias, e caiu-me tudo, era o que mais queria naquele momento, já andava com um desejo por um ensopado de enguias há mil anos. O que fazemos agora então? Já ali estamos, mais vale aproveitar o ambiente e pedir recomendações. Ao entrar vejo caras conhecidas que de certeza já não se lembram de mim, e como haveriam de? Devem servir uma centena de pessoas por dia, e a única vez que lá estive foi há quatro anos. Peço para pôr o meu telemóvel a carregar e vou sentar-me com os meus amigos. Fazemos os nossos pedidos, sopa de peixe e bacalhau com natas foi o meu pedido, com um vinhote a acompanhar porque já estou nessa idade. Falamos da noite anterior, falamos do dia, falamos do quanto bem soube tudo isto. Comemos, bebemos, estamos ali num momento mesmo à tuga em que tudo gira à volta daquela mesa, de risos e de um bem estar elevado ao próximo nível pela qualidade gastronómica superior daquela Tia que comandava a cozinha, até comi sobremesa e eu não gosto de doces. Chupa Gordon Ramsay.
Com o telemóvel carregado, encontrei uma foto que tinha tirado com a Tia há quatro anos. Quando vamos pagar, decido mostrar a foto, nisto a tia fica claramente tocada, e mostra a todos os seus colegas na cozinha, escusado será dizer que tive de entrar na cozinha para fazer um remake antes de seguirmos viagem. Mais um momento lindo, existente por causa de um festival ao qual eu estava indeciso relativamente à minha ida. Nisto tudo já perdemos a programação da tarde e estamos prestes a perder a programação inicial da noite se não tiramos perna. Bem alimentados, dentro do carro, direção: Glória do Ribatejo.
Chegamos ao acampamento perante uma situação avassaladora – roubaram a cadeira de acampamento do meu amigo. Daquelas daquele franchise que começa por D e acaba em Ecathlon. Ficámos completamente abalados por este facto. Quem é que num festival, especialmente do circuito alternativo, especialmente daquela dimensão familiar, ESPECIALMENTE com tantas vibes imaculadas! Que te sirva de aviso, pessoa que rouba cadeiras, eu vou encontrar-te. Até lá, deixo-te uma praga rogada de Alvor: Vou pedir uma praga, que te vá dar uma dor tão grande tão pequena, que quanto mais andasses mais doesse e quando parasses rebentasses. Deixa lá estar que um dia eu apanho-te! (Não posso pensar mais nisso, senão fico irado.)
Sigo para o banho que já perdi a primeira banda, desculpem C-MM, e vou tentar não perder mais nenhuma.
Os chuveiros encontram-se no pavilhão desportivo municipal que se encontra literalmente ao lado do acampamento, que luxo. Casas de banho limpas e chuveiros com água quente, só com água quente. Luxo num festival. Ponham aqui os olhos Festivais Grandes. CASAS DE BANHO LIMPAS. LIMPAS. É um privilégio não ter de acordar de madrugada ou não dormir de todo à espera que passem as equipas de limpeza durante a madrugada para ter que ir à casa de banho. Sabem exatamente a que me refiro, amigos.
Sigo rumo ao recinto. Despachado, limpo das impurezas do dia anterior mas ainda contaminado de boas energias que carregavam o ar. Confesso que neste momento estou cansado, no entanto, sabendo que ainda existiam vários bons artistas para ver em boa companhia, sou carregado pela energia coletiva.
Chego com Maria Reis a tocar no palco do ringue. Acontece algo com Maria Reis que eu acho fascinante, a veterana do circuito conseguiu executar um feito que me deixa em espanto. Reúne em seus fãs, veteranos como eu, da altura de Pega Monstro, e a nova geração de espectadores de jovem idade. Ambas as gerações, sempre entusiasmadas por verem um espetáculo da artista. Escusado será dizer que a entrega do concerto foi impecável. O público estava rendido a cantar e a dançar, comprovando a qualidade da música que ali lhes era entregue. As palmas e ovações do público à artista e sua banda no final são completamente justificadas. Quando é bom, é bom.
Segue-se o B Fachada, ou como lhe chamo carinhosamente, Tio B, no palco escavado. Confesso que não sou o maior apreciador nem fã. Porém, que concerto. A energia e a felicidade com que B Fachada atuou deixou-me completamente cativado. Só ele em cima do palco conseguiu agarrar e captar toda a minha atenção e de todos que estavam comigo. Irradiava felicidade e vontade de ali estar. Parecia que estava numa batalha em que parar de tocar seria a derrota. Pôs muita gente a bailar, eu não que não só sou um péssimo dançarino como estava em modo poupança de energia para o que aí vinha. O Tio B estava com tanta vontade de estar a tocar e cantar que estendeu o seu concerto, aposto que a banda que vinha a seguir estava a ficar chateada, mas então, se assim o foi, eram os únicos, porque o Tio, chegou, tocou e animou. Dou o meu máximo respeito pela mostra de vontade e realização que estava a ser emanada daquele palco. Salva de palmas ao Tio B.
Como devem estar a imaginar, pela falta de peripécias nesta noite, que eu estava mais calminho, e é verdade. Hoje já não tinha amigos a tocar, portanto estava a restringir a minhas idas ao backstage. No más cerveza de backstage. Estava cingido a… STOUT XARLIE. Enquanto o Tio B ainda tocava as supostas músicas finais, vou buscar uma cerveja e deparo-me com a banda que se seguia a sair do backstage. Foram todos juntos em fila, caminhavam como se estivessem num filme americano sobre Highschools e eles eram os fixes, de óculos de sol, todos em grupo, a andar como se estivesse uma câmera a filmar para mais tarde pôr em slow-mo. Não quero dizer que foi propositado, mas foi a minha percepção e achei demasiado engraçado para não mencionar.
Acabando o B Fachada segue-se a tal banda. Expresso Transatlântico. Disclaimer, o que disse previamente não tem nada a ver com o que se segue. Não fiquei fã. Não sei se era de estar cansado e ficar rezingão… Claro que não foi, eu não fico rezingão. A banda toca muito bem e tenta entregar uma performance cativante. No entanto senti que a música não se desenvolve, que fica estagnada num prestes a explodir, de uma forma redundante. Uma performance em que momentos parece muito forçada no sentido em que “tenho que dar espetáculo”. Não genuíno na minha percepção, mas vale o que vale. Reforço que a banda tem excelentes músicos, no entanto cai na lengalenga da Portugalidade. Banda instrumental mas com guitarra portuguesa que a meu ver não se destaca por si só, só porque é uma guitarra portuguesa. Grande parte do público gostou, e no grosso modo a recepção foi positiva. Se calhar não és tu, sou eu.
800 Gondomar seguem-se e lá sigo eu também para o palco onde vão atuar. São da casa já, neste circuito. Antes do concerto começar está a dar um grande banger de hip-hop, daqueles que são tirados da cartola. Sabendo eles, que no dia anterior os Oka começaram o concerto a pedir que o público se aproximasse para além das baias, estes não se deixam ficar atrás. Entram em palco e saltam para o público de forma a conseguirem tirar as baias e aproximarem o público deles, levando alguns para cima de palco e tudo. Inicia-se então o concerto. Em cima de palco, 800, público e o dono do P.A. a expulsar todo o público, com cara de poucos amigos. Os 800 tocam com nova formação o set já é conhecido desde que lançaram o álbum. Não é surpresa que dão um bom concerto em que as pessoas estão a vibrar, já são experientes nisto. O destaque deste concerto é sem dúvida o desafio recorrente que fazem a todas as oportunidades que podem, de levar contra a vontade da produção, pessoas para palco. À terceira foi de vez, a tocarem a “Cabeçudo” o público sobe outra vez para palco e a meio da música ficam sem P.A. Um bom final com a atitude que demonstraram desde o início do concerto, só espero que não tenha encurtado muito o set.
A noite acaba com Scuru Fitchádu. O festival de sua vigésima quinta edição vai terminar numa explosão de energia, que já são as últimas dos festivaleiros (juro que em Maria Reis vi um rapaz quinado nos bancos de espectador do ringue). A bandeira da Febre Amarela, daquelas que se vê em Glastonbury, voa em todos os concertos deste último dia, e serve quase como ponto de encontro para este último show.
Entra então, Scuru Fitchádu em palco. E eletricidade sentida no público só dá para comparar ao quão próximo o artista se coloca deste mesmo. Interage com ele como quem está num café ou evento social relaxado com os amigos. Sente-se a batalha que o artista leva em suas temáticas e em todas as suas interações. Batidas drenam violentamente as últimas energias que este público tem, ninguém está parado, muito menos o artista. Uma maré viva de pessoas fazem sentir a vibração no chão com a sua dança. A meio do concerto Scuru, pede a uma lenda atual da música para subir a palco, Mickey the Frog. Um momento que eu achei bonito. Mickey the Frog é uma das pessoas que mais presente no circuito está, e partilha as suas experiências online acabando a dar visibilidade aos artistas que vai ver. Fá-lo apenas porque gosta, do maior ao menor artista. Uma pessoa que como espectadora conseguiu ter um impacto neste circuito, “apenas” ao aparecer em todos os gigs e festivais que consegue. Tiro-te o chapéu, Fábio Pais. Este reconhecimento por parte do scuru demonstra também que está a par e a importância que dá ao público dos seus concertos e do circuito. O concerto de Scuru foi um tremor de terra, de causas e lutas. A música é política e artistas como Scuro dão esse reforço da forma mais humana possível, através da empatia e da sua expressão. Um show eletrizante que não deixa dúvidas que se fores, vais sair suado e cansado, porque não conseguiste estar parado.
Acaba assim o festival para mim. No dia a seguir vou ter uma viagem, e outras demandas, o corpo já pesa e o cheiro a pão com chouriço vem da saída que vai a caminho da minha tenda. Chega a hora das despedidas, da abaladiça, do último cigarro. Chegará a hora da vigésima sexta edição do Glória ao Rock também, e por essa não posso esperar.
Foram dois dias que me souberam a férias, rodeado de bons momentos, de bons amigos, de bons gigs e de bons passeios. Um festival que demonstra que a vontade de um grupo de amigos pode de facto ter um impacto maior. Obrigado Febre Amarela, a todos os artistas e envolvidos. Sinto que tudo o que escrever agora irá só ser redundante. Muito amor para todos vós. Obrigado.
Texto de João d’Argent, fotos cedidas pela organização (Beatriz Pilré e Gonçalo Nogueira)


























