Olhando para trás, podemos dizer que o primeiro álbum dos Garbage vive apenas de algumas boas canções, mas atenção, não são só os singles orelhudos que todos conhecem.
Não me recordo da quantidade de vezes que ouvi este álbum quando ele saiu, mas recordo-me bem que havia canções que ouvia quase sempre e outras que passava à frente.
“Supervixen”, que abria o álbum, tocou muitas vezes e até serviu para esta pseudo bailarina criar algumas coreografias toscas quando estava em casa sozinha. “Queer” e “Stupid Girl”, os singles orelhudos que catapultaram a banda também foram muito ouvidos e usados para as tais coreografias toscas. E depois havia “As Heaven is Wide”, “Not My Idea” e “Vow”, que gostava sem qualquer razão técnica ou transcendente. Só porque sim. Também gostava de ouvir a “Milk”, que fechava o álbum num tom soturno e inesperado.
Curiosamente, o outro single orelhudo que catapultou a banda – “Only Happy When it Rains” – nunca me encheu as medidas e era das que passava à frente, talvez porque a ouvia na rádio e na televisão (sim, em 1995, quando o álbum saiu, ouvia-se música na TV).
Olhando para trás, e fazendo uma leitura do disco, diria que este meu hábito de ouvir mais umas canções do que outras é indicativo de que este primeiro álbum dos Garbage não é muito coerente e vive apenas de algumas boas canções. Na verdade, não é só o álbum, é a banda.
Quando apareceram foram vistos como uma espécie de inovação na cena musical dos anos 90: Eram a banda do Butch Vig – o aclamado produtor de Nevermind dos Nirvana ou de Siamese Dream dos Smashing Pumpkins -, e combinavam o rock alternativo da época, a imagem punk da vocalista Shirley Mason e elementos da electrónica e da pop. Aliás, foi precisamente ligação com a pop e a capacidade de fazer canções de rock alternativo que eram facilmente cantaroláveis e dançáveis que os fez ser tão bem recebidos pelo público e pela crítica, ainda que por pouco tempo.
O segundo álbum, Version 2.0 de 1998 ainda lhes valeu algum sucesso comercial, mas o terceiro álbum foi esquecível e hoje, 30 anos passado (!!!) a banda continua a ser reconhecida por “Queer”, “Stupid Girl” e “Only Happy When it Rains”, ou seja, pelos singles do primeiro disco.
A quem quiser conhecer os Garbage, o ideal é mesmo começar por aqui, mas não façam como eu fiz em 1995. Saltem os singles e oiçam as outras.