Cheio de riffs que se pegam ao ouvido, soa ao mesmo de sempre e neste caso é exatamente como devia ser.
Alex Kapranos e os seus Franz Ferdinand voltaram com o seu sexto trabalho, The Human Fear, no início de 2025, quando poucos esperavam um ressurgimento da banda. E que boa surpresa. Depois de sete anos sem editar trabalho novo, e de várias mudanças na composição da banda, que conta agora com apenas dois membros originais, Alex Kapranos e Bob Hardy, aos quais se juntam Julian Corrie, Dino Bardot e Audrey Tait, os escoceses voltaram em grande.
O álbum arranca cheio de força e de singles com grande capacidade de nos fazer prestar atenção. “Audacious” tem um riff que nos faz lembrar o primeiro trabalho do grupo e “Everydaydreamer” puxa mais aos dias de “Do You Want To”. As comparações com a discografia anterior são abundantes e certamente não inocentes. “The Doctor” até faz lembrar a loucura de disco que foi FFS, em colaboração com os Sparks.
Podemos traçar uma linha sonora por todos os álbuns anteriores e isso é bom. Porque longe vamos dos idos de 2002, quando o som inovador destes então jovens escoceses agarrava gente e a puxava para as melhores pistas de dança indie. Agora o público de Franz Ferdinand, gente assumidamente com bom gosto, procura algum conforto sonoro mas ao mesmo tempo coisas novas. É esse o grande truque de The Human Fear.
Toca todas as notas da nostalgia que nos fez gostar desta banda, com os seus ritmos soalheiros e staccatos constantes, quase faz parecer que The Human Fear é um best of da banda, pela forma como soa ao mesmo tempo confortável e totalmente novo. Ao longo das 11 canções damos por nós a cantarolar ritmos e a abanar a cabeça mesmo que com poucas audições. Arrisco mesmo a dizer que este é um dos melhores discos do ano. É certamente um dos melhores álbuns dos Franz Ferdinand, especialmente se forem da minha opinião de que, apesar de um ou outro single, cada vez os discos estavam a ser menos interessantes.
Em Human Fear vamos de hino em hino, de crescendo em crescendo até “Tell Me I Should Stay”, uma balada melancólica com toques de Beach Boys que nos faz lembrar que este é um disco sobre medos e sentir-se vivo, e que além de todo o conforto sonoro, tem letras inspiradas como esta onde Kapranos canta “Kiss me while I’m still here”.
No geral é um disco consistente na sua variedade de estilos, do indie rock dos 2000 de “Night Or Day” a uma espécie de electropop em “Hooked”, que consegue tocar em todos os pontos altos da carreira passada dos Franz Ferdinand. É a prova que Kapranos e os seus conseguem ainda sacar bons discos, mais de vinte anos depois do primeiro, sem terem esgotado as ideias e soar a cansado. É obra.