
The National destrói. E quem ouve gosta de ser destruído. Esse sadismo é tão platónico quanto low-profile. Vem de Berninger, da passividade e languidez moral de que incumbe as suas composições, da entrega na sua expressão, da honestidade fraternal que impregna na ambiência rústica idiossincrática da banda. Ambiência essa que, embora difira em texturas nos últimos quatro álbuns, tem um carácter transversal a todo o trabalho do grupo. Desadornada, flat, vem doce, vai amarga, pende de bruços, decadentista, comisera o ouvinte, traz-lhe uma impressão à garganta, um sentido geral de desassossego, um restolhar inconsciente in the basements of our brains. Arranha por dentro.
Alligator (2005) arranha por dentro; “Val Jester” rasga por dentro. Perdido no saudosismo daquela que vai para Nova Iorque, Berninger recupera a nostalgia de quando Nova Iorque não manchava tenebrosos tempos vindouros, recupera o conforto de quando a tinha por casa. Anseia um pedaço do passado; já estilhaçou, mas anseia por tê-la no tempo de a ter nos seus braços, anseia por que a emancipação que agora sofre fosse uma miragem inconveniente. O tempo crucifica Matt em amargura, e cospem violinos tamanha amargura, e amargura espirra por lamentações penitentes: “You should have looked after her better.” É disposto cru, o conselho, e corrói, e corrói ainda mais pela inevitabilidade da situação. Berninger sabe que devia ter feito mais, mas mais nada fez. Porque nada havia a ser feito. “Val Jester” floresce daquele fatalismo; The National florescem fatalistas: catárticos para o ouvinte enquanto explorarem estoicismos, pavores existenciais, desencantamentos, inseguranças segundo o barítono de neurótico charme de Matt Berninger. Tão-só catárticos.