Foi o escritor francês Victor Hugo que cunhou a agora célebre expressão “a melancolia é a alegria de estar triste”. Foi certamente deste mote que partiram os gigantes Beach Boys quando, em 1966, no também gigante Pet Sounds, incluíram uma pequena música com o nome de “Wouldn’t It Be Nice”. Chamá-la de música quase que parece um eufemismo: “Wouldn’t It Be Nice” parece conseguir obliterar a definição e transforma-se em algo muito maior, um género de hino. Volvidos quase 50 anos, mantém-se firme e implacável na sua posição de um dos maiores marcos da música pop de todo o sempre.
O que a torna tão mágica seria difícil de agarrar – é sem dúvida uma faixa cuja audição repetida recompensa, pois a cada regresso ao início encontramos algo que nos faz arrepiar. Mas sem dúvida que, mesmo à milionésima audição, é impossível não destacar o seu maior poder: a sua capacidade de nos atirar ao peito uma sensação que quase mais nenhuma música consegue. Os acordes leves aliam-se aos coros despreocupados, que fazem acompanhar uma letra clara e simples, humana o suficiente para qualquer um se rever nela sem grandes complicações. É uma letra que dita um desejo ardente por uma outra realidade, o outro lado do espelho onde tudo é mais fácil. É a tristeza de desejar e de querer o que ainda não reconhecemos impossível. E é uma tristeza que nos deixa, tal como esta música, sempre e profundamente felizes. A verdadeira melancolia sonora.
