Talvez a canção mais conhecida de Swordfishtrombones de 83, o disco que marcou uma profunda viragem artística na obra de Waits. Trata-se de uma metáfora sobre o próprio desmembramento da sua família aos 10 anos, quando o seu pai – rebelde – se separa da sua mãe- mais convencional. Para tornar ainda mais explícito o seu carácter autobiográfico, Tom fez questão de atribuir ao narrador da canção o nome do próprio pai: Frank. A letra é tão brilhante que a traduzo aqui na íntegra. “A sua mulher fazia bons bloody-marys, mantinha a boca calada a maior parte do tempo, tinha um pequeno Chihuahua chamado Carlos que tinha uma qualquer doença de pele e era totalmente cego. Tinham uma cozinha ultra-moderna com um fogão auto-lavável. Frank tinha um bom carro. Eles eram tão felizes. Uma noite, Frank estava a voltar para casa do trabalho, parou no Extra, comprou algumas cervejas. Bebeu-as no carro no caminho para a bomba da Shell, encheu um jerrican com gasolina. Foi p’ra casa, regou-a com gasolina e acendeu um fósforo. Estacionado do outro lado da rua a rir, a ver a casa a arder, tudo laranja Halloween e vermelho chaminé. Ligou o rádio numa estação dos hits do momento e apanhou a auto-estrada de Hollywood em direcção ao norte. Nunca suportou aquele cão.”