Esqueçam “Skinny Love”: em VOLUMES: ONE (Selections From Music Concerts 2019–2023 Bon Iver 6 Piece Band), o(s) Bon Iver não olha(m) para trás e apresenta(m)-se, sem concessões, como a banda que são hoje.
Os álbuns de concertos ao vivo são prendas dos artistas aos fãs. Claro que há álbuns que saltam essa bolha, como por exemplo: Woodstock, Beatles, George Michael, e se tornam obras-primas consagradas. Eu, como super fã, me confesso: adoro.
Segundo a banda (sim, Bon Iver já não é só o Justin Vernon, mas sim um grupo composto por vários membros), este será o primeiro lançamento do que se imagina serem vários álbuns ao vivo, inspirado pela colecção de discos de Bob Dylan “Bootleg Series” (aliás, bastou ver as stories que acompanharam este lançamento, em que uma é uma representação de uma foto icónica de Bob Dylan, a capa do álbum Nashville Skyline, mas com o Justin Vernon).
O álbum tem 10 músicas, gravadas em 10 concertos diferentes, que são uma pequena amostra do que é Bon Iver na sua essência mais recente (ficam de fora tudo o que são os primeiros dois álbuns), e que, segundo o próprio, “This particular set of 10 songs is like, ‘Here, if you’ve never heard Bon Iver, or you have and you didn’t like it, this might be for you.’ This is what we became. This is really us at our best. This is it.”.
Ou seja, quem está à espera de versões ao vivo de “Skinny Love” ou “Re:Stacks”, não as vai encontrar. Há opiniões contrárias, mas eu acho mesmo que o percurso dos Bon Iver tem sido de constante evolução, conseguindo a proeza de tentar novos sons, sem comprometer o sentimento transversal dos inícios de For Emma, Forever Ago. Sim, sabemos que é difícil desapegar da imagem que temos de uma coisa (o homem barbudo curando o seu coração partido, numa cabana no meio da floresta), mas quando temos abertura para coisas novas, vemos que o nosso mundo se expande e isso é tão mais bonito do que ficar agarrado ao passado.
O álbum é composto por rendições dos discos “22, A Million”, “i,i”, “SABLE, fABLE”, uns singles avulso, como a espectacular “Heavenly Father” e uma cover do Bob Dylan, “A Satisfied Mind”, que está particularmente bonita (100% estilo Bon Iver). Apesar de serem gravações de sítios diferentes, há uma linha contínua, certamente assegurada pelas músicas escolhidas, fazendo com que o álbum seja coeso e muito fácil de ouvir.
Este lançamento mostra-nos a composição eclética daquilo que são os Bon Iver, a banda composta por saxofone, piano, guitarras, baixos, baterias, sintetizadores e o já famoso auto-tune de Justin Vernon, que por uma razão meio inexplicável, funciona bem, não sendo apenas um artificio manhoso.
Arriscamos a dizer que sim, será um álbum que fará os fãs felizes e, quiçá, poderá até trazer novos ouvintes, em particular aqueles curiosos que nunca tiveram a oportunidade de os ver ao vivo. Que venham os próximos lançamentos, por favor.