The order is rapidly fadin’
And the first one now
Will later be last
For the times they are a-changin
Com mais de 60 anos, The Times They Are a-Changin’, é um dos discos mais importantes da carreira de Bob Dylan, reflexo das grandes convulsões políticas e sociais nos Estados Unidos daquela época.
The Times They Are a-Changin’ é o terceiro disco de estúdio de Bob Dylan, lançado no início de 1964, depois de Bob Dylan (1962) e The Freewheelin’ Bob Dylan (1963), este é o primeiro disco que inclui apenas originais de Dylan. A sua escrita é bastante influenciada pelo contexto sociopolítico vivido nos Estados Unidos da América.
Assistíamos à Guerra Fria, com a Crise da Baía dos Porcos e a Crise dos Mísseis de Cuba; à Corrida ao Espaço, simbolizando a luta entre os EUA e a URSS; à luta pelos direitos civis dos afro-americanos, que eram alvo de segregação e discriminação racial. Foi no ano em que Bob Dylan escreveu The Times They Are a-Changin’ (1963), que Martin Luther King Jr., promoveu a Marcha sobre Washington e proferiu o seu célebre discurso “I Have a Dream”.
O próprio Dylan fez parte desta manifestação política, embora mais tarde se tenha distânciado da participação directa em movimentos de direitos civis, por não querer ser considerado um “porta-voz”, mas, quando The Times They Are a-Changin’ foi lançado esse era um dos seus papéis na sociedade. Mais do que um baladeiro, era um baladeiro com uma canção de protesto na garganta.
A faixa-título do álbum alertava os seus ouvintes para a adaptação à mudança inevitável, e embora influenciado pelo folk e canções tradicionais as suas palavras são acidas, e põem o dedo nas várias feridas da sociedade norte-americana.
Não é o meu disco favorito de Dylan, e apesar de ser fã recente e ainda não ter conseguido explorar na totalidade a vasta carreira do artista, mas acredito que é dos mais importantes pela sua conotação político-social (sou daquelas que defende que a cantiga é uma arma). Canções como “With God on Our Side”, “Only a Pawn in Their Game” e “Ballad of Hollis Brown” são intemporais, e se calhar nesta segunda década do seculo XXI voltam a fazer tanto sentido como nos anos 60 do século XX. Se os tempos estavam a mudar em 1964, hoje, passados 61 anos, continuam em ebulição, The Times They Are a-Changin’ será sempre de audição obrigatória e terá o seu lugar destacado em qualquer fonoteca.