Memphis. Bem longe de Yokohama. Elvis por todo o lado. Não consigo dormir. O Tom diz-nos pelo rádio que já são 2h17 da manhã e que a próxima is by the king himself, uma das suas preferidas para ouvir de madrugada, “Blue Moon”. Abraço-a, adormeço. Amanhã vamos a Graceland. Aqui ao lado também não dá para dormir. Ele começa a cantar, eu olho para a cara dele no quadro à minha frente, e ele aparece. O Fantasma Elvis aqui à minha frente sem saber onde está. Acordo a desconhecida, ela tem de ver isto. Mas ela não quer saber. Será que foi um sonho? Não sei, vou-me deitar novamente e ouvi-lo até adormecer. Cá em baixo eles também não querem saber do que está a dar na rádio. Tudo o que importa é aquela conversa estúpida sobre a roupa que o outro tem vestida e como ele parece um chimpanzé com patas de mosquito com aquele chapéu. Do outro lado da cidade, três perdidos no espaço querem bebidas. Pegar, matar, bazar. A minha irmã deixou-te? Ainda bem, ela não se calava, blá blá blá o dia todo. 2h17. O Elvis começa a cantar. Esta é para ti, amigo. Bora, chegámos ao hotel do meu cunhado, ele safa-nos a noite. Isto foi um tiro? Provavelmente, estamos na América. Vamos embora daqui, temos um comboio para apanhar e o Fats Domino está à nossa espera.
“Blue Moon” – Elvis Presley