Os Carne Doce são nossos amigos há muito tempo e por isso resolveram vir visitar-nos. Até que enfim! Estarão em Portugal no próximo mês de outubro no âmbito do Jameson Urban Routes 2019. Coimbra, Lisboa e Porto aguardam por eles. Nós resolvemos antecipar-nos e falámos com Salma Jô, a vocalista da banda.
O Altamont é o único site português que vos acompanha desde o lançamento do vosso EP Dos Namorados. Muita coisa mudou desde então na música que fazem. Como eram, e como estão agora os Carne Doce?
Acho que nos aprimorámos, éramos muito mais simples, singelos. Desde então deixámos de ser um projeto de casal para sermos banda, depois mudámos a formação de banda e então ficámos cinco anos com esse grupo aprendendo em todo tipo de show, em casas pequenas, em teatros, festivais, assistindo muitos colegas também. Estamos naturalmente muito mais à vontade uns com os outros, nos ouvimos melhor e por isso sabendo soar melhor também, amadurecemos, estamos mais seguros, mas também mais ambiciosos enquanto artistas.
No início, havia um tom algo regionalista no som das vossas composições. Essa marca identitária ainda faz parte do vosso som?
Não sei dizer, porque embora também eu acreditasse que havia algo regionalista no nosso som, eu não sabia definir o que era. Não sei o que temos exatamente de “goianos”, acho mais fácil captar alguma “brasilidade”, na jinga. Acho sim que temos algo de ser do interior, da região central do país, e isso implica uma perspectiva que sempre vai transparecer de um modo ou de outro, mas não consigo apontar referências como a música sertaneja ou outros estilos que compõem a música regional de Goiás.
Entretanto, e sobretudo com o vosso álbum Tônus, muita coisa mudou nas vossas vidas. Qual foi o segredo por detrás dessa vossa grande transformação?
Haha, foi? Não sei se nos transformámos, fizemos esse álbum usando praticamente a mesma expertise dos anteriores, seguimos o mesmo timing. Naturalmente, acho que soamos mais sérios, mais inteligentes nas dinâmicas, por causa dessa experiência que falei acima. Não vejo o Tônus como um grande salto. Desde o primeiro álbum não tivemos um grande salto, mas seguimos crescendo, seguimos crescendo com o Princesa e depois com o Tônus, foram ambos álbuns elogiados por críticos e público. Vemos a nossa trajetória como regular e ascendente nesses três discos.
Desde a primeira entrevista dada ao Altamont (esta é a segunda) que havia uma enorme vontade da banda vir tocar em Portugal. Agora está tudo acertado e poderemos assistir aos vossos concertos em Lisboa e Porto nos dias 23 e 24 de outubro. Como surgiu o convite e o que poderemos esperar desses concertos?
O convite veio graças a uma ponte feita entre a Letrux, nossa amiga que se apresentou recentemente em Portugal, e o Musicbox, que já nos conhecia e tinha interesse em nos levar. Temos também Coimbra confirmada no dia 22 de outubro e outras datas a anunciar, shows que estão sendo produzidos pela Lovers & Lollypops, que também já conhecíamos de antes. Podem esperar uma apresentação potente, explosiva e contemplativa, o show do Tônus, que é a melhor produção que elaborámos até agora e que foi eleito o melhor show brasileiro do ano passado por alguns editoriais brasileiros.
Uma vez que estão quase de viagem até ao nosso país, duas perguntas sobre a música em Portugal: têm alguma referência sobre artistas portugueses de agora ou mesmo do passado? O que conhecem da música portuguesa?
De verdade conhecemos pouco. Eu conheço Mariza e nós ouvimos Quinteto Tati uns anos atrás.
Sempre tivemos alguma curiosidade em saber como surgiu o nome Carne Doce. Querem elucidar-nos sobre isso?
Fizemos um brainstorming para achar um nome legal. Joguei “piranha” numa lousa e escrevi do lado: “peixe”, “água doce”, “come carne”. Escrevi uma frase em cima da outra, “doce” e “carne” ficaram juntos, “doce carne”, “carne doce”. Ou seja, não significa nada. Quando juntámos as palavras gostámos do som, gostámos dos sentidos que evocava, era sensual, instigante, ficou.
Voltemos à música e aos vossos próximos concertos em Portugal. Digam, sobretudo para os que não vos conhecem, o que precisam de saber sobre vocês para comprarem bilhete e marcarem presença nos vossos concertos.
Bem, muitas pessoas que nunca nos ouviram se tornam fãs ao nos assistirem ao vivo, ao menos é o que já escutámos muitas vezes. Amigos levam amigos, que ficam impressionados. Essa é uma propaganda que a gente não quer perder nunca, muito menos em Portugal. Queremos deixar a melhor impressão para vocês. Nós sabemos que a melhor chance de a gente voltar é deixar vocês querendo mais. Fora isso é indie rock, é MPB, é dançante, é gostoso, é bonito, a banda é muito boa, o show é muito bom.
Por vezes acontece uma certa vontade, dentro das bandas, de fazer música num formato diferente. Essa vontade existe em algum de vocês?
Sim, o João anda experimentando trap, e ele e o Aderson (baixista) e Fred (baterista) criaram um projeto chamado Jamgodub. Por mim, estou tranquila, sem outros anseios.
Goiânia ainda continua sendo um local de surgimento de boas bandas / artistas? Que bandas ou artistas novos estão surgindo e que merecem a vossa atenção?
Estou completamente por fora do que surgiu em Goiânia recentemente.
Cazuza dizia que “o tempo não para”. O próximo disco já vem a caminho? Haverá músicas novas nos vossos concertos em Portugal?
Sim, já estamos compondo músicas novas e devemos tocar algumas aí.
Em outubro, estaremos juntos para um abraço e, quem sabe, nova entrevista, filmada de preferência. Querem deixar umas últimas palavras para os leitores do Altamont?
Agradecemos muito o espaço e a atenção de sempre do Altamont, aguardamos as vossas respostas e estamos desejando que chegue outubro! Forte abraço transatlântico.













