Há uma ternura quase inconsciente com a qual as músicas deste abandalhado de barbas de Seattle nos abraça que nos faz tremer. E “He Doesn’t Know Why” não é nem nunca seria excepção à regra. Mais uma vez, os Fleet Foxes voltam-nos a envolver nos seus braços generosos e suspiram-nos aos ouvidos letras recheadas de ardor, emoção e fantasia. Letras capazes de nos fazer acordar numa terra longínqua de costumes simples e personagens com corações maiores que montanhas. A melodia, arrebatadora, cresce e diminui à medida que sustemos a respiração e sentimos-nos a arrepiar; é de uma beleza que nos arranca o chão por baixo dos pés.
Não há mais nada a dizer – ou melhor, a escrever – e sinto muito em admitir que falhei, as palavras faltam-me. A capacidade desta faixa em particular, retirada do primeiro disco da banda, de nos roubar o fôlego e de nos deixar agarrados ao estômago não é algo que possa ser transformado em meros aglomerados de letras e frases. É melhor deixar as palavras de Robin Pecknold falarem por mim: “There’s nothing I can say, I can say” – o grito de Ipiranga com a qual termina este pequeno capítulo, rodeado de coros e cordas que nos transportam para uma terra na qual as árvores tocam nos céus e as palavras são proibidas.
