The Score tem momentos de grande hip hop, tem canções e singles como poucos.
É verdade que o groove é refrescante, carregado de reggae e soul, de samples bem escolhidos e com uma simpática lista de beats memoráveis. Também é verdade que as letras são boas, saudáveis, merecedoras de atenção. Mesmo que fosse limitado ao duo Wyclef Jean e Pras Michel, The Score seria sempre um grande disco. E ainda assim, o segredo de The Score tem nome próprio, Lauryn Hill.
Era outro o hip hop, em 1996. Em poucos discos se ouvia cantar, as produções estavam longe de apuradas e ao mainstream só chegavam ‘gangsters’, os mauzões do bairro. E ninguém a viu chegar.
E subitamente, passou a ser aceitável cantar num disco de hip hop. De repente, aparecia uma mulher, bonita ainda por cima, a cantar como nunca ninguém o havia feito, orgulhosamente rapper, mas senhora de voz absolutamente soul, a primeira a chegar ao topo das tabelas do mainstream.
The Score tem momentos de grande hip hop, tem canções e singles como poucos – “Ready or Not”, “Fu-gee-La”, “Killing Me Softly With his Song”, “No Woman no Cry” – e algumas pérolas mais discretas. Um exemplo: “Zealots” até pode passar despercebida. Um erro.
Não fosse The Score um disco do seu tempo (o melhor dirão alguns), também não faltam tiradas épicas no que ao campeonato da bazófia diz respeito, é mesmo entre ameaças de morte a MCs rivais que ficamos a saber que já havia quem vaticinasse a carreira a solo da menina Hill. Profético.
No caminho ainda chegariam dois grammys (Melhor álbum de Rap e Melhor Performance de R&B), mas sobretudo chegaria The Miseducation of Lauryn Hill.
Desvendado o segredo, o destino ficava traçado. Wyclef faria carreira, Pras nem por isso, e a senhora Hill retirou-se para o seu merecido pedestal entre a família Marley. Resta-nos revisitar um disco que, resistindo com brio à erosão de décadas em todo o género de playlist, acaba sempre por cair bem. Um dez.