7 Songs For Spiders é um tiro de rock escuro dos pântanos do Louisiana, como um casamento entre os Queens of the Stone Age e o Beck dos primeiros tempos.
O americano Dax Riggs será um desconhecido para a maioria das pessoas mas já anda no mundo da música há uns anos valentes. A comunidade mais atenta do metal e sobretudo do subgénero sludge lembrar-se-á dele como o vocalista dos Acid Bath mas pouco mais. É que Riggs lançou, em 2010, o disco a solo Say goodbye to the world e…desapareceu.
Regressa agora, e em dose dupla. Os Acid Bath vão voltar a juntar-se para alguns concertos e Riggs está finalmente pronto para partilhar com o mundo o que andou a fazer nos últimos 15 anos. E isso foi música.
Numa recente entrevista, explicou que tudo começou de forma inocente: queria parar um pouco, concentrar-se em escrever canções e voltar a encontrar um rumo para o que queria dizer. Depois a vida meteu-se no caminho, e uns meses de reclusão na sua base, no Louisiana, transformaram-se em anos.
Daí que este novo 7 Songs For Spiders acabe por funcionar para muita gente (incluindo para nós) como a primeira amostra de quem é este animal do pântano, uma figura quase mitológica do underground americano que volta a ser visto à luz do dia.
E em boa hora este disco começou a ter algum reconhecimento. Para simplificar, podemos dizer que o som actual de Riggs é um casamento macabro entre os Queens of the Stone Age e o Beck dos primeiros tempos, com toques de grunge e de sludge.
Todo o tom do disco é assombrado, negro, apocalíptico (o próprio site do músico fala em “folk rock apocalíptico”), mas servido por excelentes melodias. O tom assusta mas a música puxa-nos e envolve-nos, como um confortável manto negro.
Será estranho, diga-se, que uma ausência de tantos anos seja suprida com um disco de apenas sete temas e menos de meia hora. Ficamos com vontade de mais capítulos desta fábula truncada nos quais nos possamos embrenhar, mas a vantagem é que não há qualquer palha neste disco.
Riggs já avisou que há mais música a caminho, e por esta amostra é um artista que vamos querer muito acompanhar. Para já, fiquemos com pérolas como a balada negra “Sunshine felt the darkness smile”, a missa fúnebre de “Ain’t that darkness” – a lembrar o universo do saudoso Mark Lanegan – ou a pedrada rock, encharcada em fuzz, de “Graveyard soul”.
Welcome back, Mr. Riggs.