Desafiámos os nossos escribas a fazer a difícil escolha de selecionar um álbum, uma banda/artista, uma música, um concerto e um artigo escrito no altamont que os tenha marcado, nestes últimos 20 anos. Poderão vê-las no decorrer das próximas semanas, aqui e na nossa página de instagram.
Nestes 20 anos de Altamont, ganhei variadíssimas coisas e, acima de tudo, amigos para a vida. Já não sei viver sem este grupo de pessoas — alimento-me da música, do amor e da sedução que partilhamos diariamente. Escolher cinco momentos em vinte anos é uma tarefa difícil para quem costuma amar muita coisa. Hoje, escolhi estes:
Um artigo: “Especial David Bowie” (2016)
No ano em que todos tivemos de reaprender a viver num mundo sem David Bowie, foi comovente a forma como o celebrámos. No Altamont, demos as mãos para eternizar todos os seus álbuns e uma vintena canções essenciais, recordando o Bowie do glam, do pop, do experimental de Berlim, do electrónico, o músico, o actor, o ícone da moda — e tudo aquilo que ele representa: Liberdade! Bowie morreu, mas jamais deixará de existir.
Um concerto: Bon Iver, Coliseu de Lisboa (2012)
Ao coliseu cheguei com expectativas serenas. Dois discos bonitos, uma voz delicada, um coração partido, “vai ser um concerto calmo”, pensei. Mas do coliseu saí com todos os meus sentidos ao rubro e em pele de galinha! Fui seduzida a cada canção, apaixonei-me pela seu falsete e estremeci com as duas baterias em palco. Foi este o ponto de viragem para a forma como passei a ouvir Justin Vernon, não apenas em Bon Iver, mas em todos os seus outros projetos.
Um álbum: Sufjan Stevens – Carrie & Lowell (2015)
Foi o nosso #1 de 2015 e com justiça. Um regresso frágil, contido e belíssimo, de um artista que não tem medo de experimentar e que raramente se repete ao longo da sua vasta discografia. Todo o disco habita um prazeroso espaço celestial. Voltei a ele muitas vezes, sobretudo quando o silêncio à volta parecia demasiado pesado. Há álbuns que não fazem barulho — mas que nos seguram.
Uma canção: “Afterlife” — Arcade Fire (2013)
As coisas que nos fazem bem nunca são em demasia. Como certas canções. “Afterlife” é, para mim, uma espécie de oração inquieta. Há nela um consolo estranho, uma respiração que se aprofunda e uma pulsação luminosa que nos faz mexer o corpo — e que bom que isso é! O que fica depois do fim? Esperança, sempre a esperança!
Uma banda / artista: Tim Bernardes
O Tim é especial. Tem a capacidade rara de cantar lugares comuns sem cair na pieguice, de transformar a dor, a separação e a perda em beleza. Há nele uma intimidade destemida e uma sensibilidade serena que me conforta. Talvez porque, como bem sabemos, quanto mais sombrio é o mundo, mais precisamos da beleza que dele nos resgata. Ouvir Tim Bernardes faz bem à pele e à alma, a qualquer hora do dia.