O segundo, e último disco de originais dos Ornatos Violeta, faz este ano 25 anos e é um dos álbuns essenciais do rock português. Muitas das canções incluídas são reconhecidas pelos melómanos nacionais, e algumas delas tornaram-se hinos de uma geração que cresceu nos anos 90.
Quando em Novembro de 1999, os Ornatos Violeta lançaram o seu segundo disco O Monstro Precisa de Amigos estávamos longe de saber que esse seria o último álbum de originais da banda. Produzido por Mário Barreiros, o disco conta com duas participações de peso: Gordon Gano dos Violent Femmes e o cantor e actor português Victor Espadinha.
Conta a história que Manel Cruz, Peixe, Nuno Prata, Kinörm e Elísio Donas passaram por um processo criativo complicado durante a gravação do seu seu segundo disco. Cão!, lançado dois anos antes, já tinha trazido a banda para a ribalta e a fasquia encontrava-se elevada e podemos dizer que passou muito além das expectativas dos fãs.
O Monstro Precisa de Amigos é um daqueles discos que basta ouvirmos os primeiros segundos de uma canção para que a consigamos identificar e que certamente ainda sabemos cantar grande parte das letras, são assim os grandes discos.
“Ouvi Dizer”, o primeiro single d’O Monstro, tem a colaboração de Victor Espadinha e estabeleceu-se como uma clássica canção de amor, ou melhor, desamor. Os primeiros versos do poema recitado no final do tema pelo actor português (A cidade está deserta/E alguém escreveu o teu nome em toda a parte) já foram pichados em paredes, tatuados, escritos em mensagens e em cartas por muitos corações partidos. Deixando-nos a pensar, será que “Ouvi Dizer” é uma das melhores canções escritas? Por aqui a resposta é sim.
Mas não é a única canção memorável do disco, ” Capitão Romance (Aventuras No Mundo, Cap. I – Rumo À Verdade)”, a canção cantada a meias com o vocalista dos Violent Femmes, (muitas são as vezes que uso a expressão “eu vi, mas não agarrei” para descrever as oportunidades perdidas), “Dia Mau” (uma espécie de canção de autoajuda que incita a relativizar os dias menos bons), “Chaga” (“p’ra lembrar que há um fim”).
De “Tanque” até ao “Fim da Canção”, coincidente com o fim do disco, encontramos 13 canções em 48 minutos de canções magistrais, num disco que foi considerado um dos melhores da música portuguesa da década de 90 e que agora passados 25 anos continua a passar o teste do tempo.