
Que me desculpem os puristas do mundo “indie”, mas a verdade é que X&Y é o melhor trabalho de Chris Martin e companhia até à data. Reconheço, todavia, que o quarteto britânico assume, em cada álbum, um cunho (cada vez) mais “popular” e é por isso que este disco apresenta, de uma assentada só, a maior solução e problema para aquela que agora é considerada a maior banda do planeta. Mas já aí iremos.
Primeiro, a criação. Sob o signo dos cromossomas masculino e feminino, os Coldplay presenteiam-nos – nós, fãs, assumo – com uma autêntica compilação de hinos introspectivos, trauteados por uma voz depurada, com ecos do malogrado Jeff Buckley. A acompanhá-la, estão três músicos com outras armas, tecnicamente evoluídos, que sustentam a viagem que se inicia em… “Square one”. Juntos, estes quatro jovens, ex-estudantes universitários, produzem épicos perfeitos, onde a guitarra de Johnny é o suplemento de Chris, e o baixo de Guy a muleta para a cadência de Will. Surge “What if”. Martin no seu melhor, enamorado, um texto a fazer lembrar “Imagine” de Lennon sobre um piano “cheio”, que ressoa em “White Shadows” para atingir o seu máximo em “Fix You”. Esta é, sem dúvida, a melhor das 13 faixas que compõem o álbum, uma osmose musical entre “Politik” e “The Scientist” do anterior “Rush of Blood to the Head”, que, francamente, nos eleva a um estado… diferente. Melodia “catchy”, letra directa, e, novamente, os agudos eléctricos de Buckland no apoteótico final. Seguem-se “Talk” e “X & Y” e a sobrevalorizada “Speed of Sound”, o primeiro “single”, claramente por razões comerciais. Entre esta e “Clocks” a diferença é mínima, com prejuízo para a recente… Destacam-se, depois, “A Message”, “Hardest Plan” e “Swallowed in the Sea”, uma tríade monologa onde se notam, novamente, os avanços na voz de Martin, com um alcance claramente superior ao registado no “Parachutes”. Em todas elas, é o “eu sofredor” mas que nunca chega a ser entediante porque, convenhamos, a música/ linha melódica é, claramente, o grande trunfo dos londrinos. E, neste momento, esta capacidade de criarem os tais “anthems” só está nas suas mãos.
Depois, o problema. De facto, os Coldplay estão, ipsis verbis do parágrafo inicial, (cada vez) mais “populares”. Isto deve-se ao tremendo sucesso de “Rush of Blood to the Head”: ficaram expostos a um vasto público, abriram-se-lhes as portas de estádios e os prémios internacionais. “X &Y” só vem comprovar o que atrás vem referido: número 1 em muitos becos do mundo, espectáculos esgotados – Pavilhão Atlântico estará à “pinha” – e o vislumbre de uma sucessão de “top-ten” em catadupa. Bom para eles e para quem gosta deles. Um senão. Ameaçam tornar-se nos novos U2, irlandeses em final de carreira (por favor), o que dá a crer, dado o lado humanitário de Chris Martin, que venhamos a ter, provavelmente, um novel representante dos fracos e oprimidos. Aborrecido, portanto. Bono Vox já há um, e, sinceramente, não precisamos de outro. Mesmo. O desafio que se coloca, então, aos “Coldplay” é… o álbum seguinte. Fugirão aos épicos e apresentarão um tom diferente, ou continuarão no mesmo trilho de sucessos? É que, uma coisa é ouvirmos alguém cantar sobre amor e busca de sucesso quanto se está antes dos 30 anos… outra coisa é ter 50 e os temas manterem-se. O futuro não nos pertence, mas pode ser que estejamos na presença da grande banda do milénio. Assim o queiram.
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isso dos indies… coldplay é, sem dúvida, uma boa banda que poderá escolher, agora, entre se tornar numa grande banda ou estagnar na popularidade…