O regresso da banda, com o quarto álbum de estúdio, recupera uma energia punk, de guitarra frenética, num estilo mais cru e espontâneo.
Foram precisos três anos para os Viagra Boys voltarem aos álbuns de estúdio, e em boa hora o fizeram. Este novo trabalho, viagr aboys, é um regresso explosivo à energia do punk, com guitarras frenéticas e um estilo bruto, cru e pouco produzido, quase espontâneo.
É um disco que parece gravado à primeira (foi feito em sessões curtas, que mantém esta energia e espontaneidade) e que mantém a tónica na sátira da masculinidade tóxica, com letras a girar em torno da paranoia, da introspeção e até do delírio.
A abrir, temos logo o primeiro single, “Men Made of Meat”, que representa perfeitamente a energia deste disco, num registo barulhento e energético, cheio de humor negro, caótico e, ao mesmo tempo, bem composto.
O álbum avança, com faixas como “Uno II” ou a bem conseguida “Pyramic oh Health”, que surge com um tom mais limpo do que o resto do caos sonoro, mas coerente, que é este disco. Temos, ainda, Dirty Boyz” e “Waterboy”, que aluam os sintetizadores às guitarras, voltando à sonoridade punk que caracteriza tanto este disco. E em “Best In Show pt. IV” temos um momento psicadélico, cheio de sintetizadores, saxofone e outros instrumentos, e onde se usa a spoken word para dar voz a este caos sonoro.
O disco vai seguindo até que de repente, a fechar, temos “River King”, balada ao piano, fechando o trabalho com um toque de calma e melancolia, como se fosse uma ressaca das guitarras rápidas e sujas. É uma bonita faixa, que parece retirada de contexto, e uma forma surpreendente de fechar o disco.
Este é um excelente regresso da banda, cheio de energia, guitarras rápidas e caos. Um bom disco para se ouvir quando se precisa de música que nos encha de adrenalina.
viagr aboys merece ser ouvido com atenção e dedicação, para apreender todas as camadas. Para momentos em que precisamos de mais introspeção ou que a música serve, como tantas vezes acontece, para tocar de fundo, é melhor escolher-se outra coisa.