O Salón Fuzz convidou os Veenho para estrear a sua residência na Casa Capitão e abrir as portas à contemplação sónica.
Depois de ter pairado por outros locais bem recomendados como o saudoso Lounge ou pela Sala Lisa, o Salón Fuzz – nosso companheiro de Rádio Futura – decidiu assentar os seus amplificadores na Casa Capitão. Os Veenho foram os escolhidos para a primeira sessão desta nova etapa da aventura de Mário Valente e a coisa dificilmente poderia ter corrido melhor. O perfil do quarteto lisboeta encaixa na perfeição no ambiente super íntimo proporcionado pelo sótão da Casa Capitão.
Como já anteriormente identificado, não é fácil entrar nos Veenho. Nem tem de ser, verdade seja dita! O fumo e um jogo de luzes para lá de sombrio não nos facilita vê-los a olho nu … quanto mais através da lente fotográfica. São trinta segundos de frustração, dois minutos de negação e várias tentativas de dar a volta à coisa seguidos de uma eternidade de plena aceitação e de tentar ensinar a câmera a contemplar! Também não há mosh, empurrões ou crowd surfing. Ao invés, somos sugados por um remoinho sónico que nos leva a mente a pairar, surfar, bailar e demais formas de movimento no infinitivo … no infinito. Se fecharem os olhos, a velocidade aumenta. Parecemos que estamos todos “meio ausentes” – como diz a canção – mas não, é a absorção total na malha intrincada de feedback, distorção e melodia em estado puro!
O alinhamento deixou-nos matar (algumas das) saudades do fantástico Lofizera (2023), escavar um pouco mais adentro com “Parecetamol” e “Costa Oeste” do EP de estreia e deu o mais do que devido destaque ao belíssimo single duplo “placebo + sentimental” editado no fim do ano passado. Um crescendo de densidade, intensidade e prazer musical. Pode não ser fácil entrar, mas impossível será sair! Que venha o próximo, por favor!
Fotografias: Rui Gato














