Uma hora e meia aos saltos ao som de guitarras indie com uma secção rítmica disco por trás e vamos todos para novos outra vez.
Depois do erro crasso, ao subestimar recentemente a capacidade dos Kooks encherem o Campo Pequeno, desta vez as expectativas eram menos pessimistas. Quando às 20:30 os Hause Plants sobem ao palco, já a plateia estava composta. Um set de meia hora em crescendo, entre temas mais antigos guiados pelas guitarras, e as derivações electrónicas mais recentes com o expoente máximo no novo single “Do It Like This”, até ao grande final com uma cover-duma-cover-que-na-verdade-é-um-mashup, a versão Hot Chip de “Dancing In The Dark / All My Friends”. No seu maior concerto até hoje, os Hause Plants estiveram à altura da ocasião e merecem toda a atenção que consigam atrair.
Pontualmente às 21:30 e já com o Coliseu apinhado, os Two Door Cinema Club iniciam os procedimentos. Palco em dois níveis, com o núcleo da banda em baixo (Alex Trimble na voz e guitarra, Sam Halliday na guitarra e Kevin Baird no baixo) e os músicos de sessão (Benjamin Thompson na bateria e Andrew Lindsay nos teclados e guitarra) num patamar superior, revestido à frente e atrás por LED walls que foram projectando imagens alusivas a cada tema e a momentos da carreira da banda.
Por falar em carreira, não há cá tretas de promoção de novo álbum. A digressão é assumidamente de comemoração dos 15 anos do álbum de estreia Tourist History, e é aí que está concentrada a esmagadora maioria do alinhamento, dividido em três blocos. No primeiro, a primazia de Tourist History só é quebrada pela inclusão de “New Houses”, do EP Four Words To Stand On, que o antecedeu. Dedicado a um amigo já falecido, é também aqui que a banda comunica pela primeira vez com o público, através de Sam Halliday. Menos conversa e mais acção sempre foi o modus operandi dos Two Door Cinema Club e está tudo bem, principalmente quando a acção inclui “Cigarettes in the Theatre”, “I Can Talk”, “Come Back Home” e o incontornável “Something Good Can Work” antes do primeiro interregno.
Para o segundo capítulo, o álbum em celebração fica a descansar um pouco mas a qualidade não desce propriamente. O segundo álbum Beacon também tem os seus méritos e o regresso ao palco com “Sleep Alone” comprova a tese. O resto da discografia é passada ao de leve, com “Changing of the Seasons” do EP homónimo, “Dirty Air” de False Alarm, “Lucky” de Keep On Smiling, e “Are We Ready? (Wreck)” de Gameshow a anteceder mais uma pausa.
No bloco final, um pouco mais de conversa, desta vez por Kevin Baird, a abordar a passagem destes quinze anos e o facto de já não sermos teenagers nem no palco nem no público. E o regresso à carga com “Undercover Martyn” a fazer disparar o coro e os saltos da plateia. “Costume Party”, “You’re Not That Stubborn”, “Eat That Up, It’s Good for You” e um dos hinos indie da década de 2010, “What You Know”, encerram a noite. Sem encore, sem floreados. Uma hora e meia aos saltos ao som de guitarras indie com uma secção rítmica disco por trás e vamos todos para novos outra vez.
Fotografias de Gonçalo Nogueira.












