Lançado em 2011, já lá vão quatro anos, o primeiro disco dos Total Control é um disco de referência. Mas porquê de referência? Bem, isto das críticas, ou melhor, das opiniões, é uma praga. Uma virose de proporções incalculáveis sem remédio à vista! E se na moda as opiniões são frívolas, na música são demasiadas. Não há matéria artística que se preste a opiniões. Isto para não aprofundarmos a presunção do termo arte. Ou se gosta, ou não se gosta. Tão simples… É tudo uma questão de conforto e bem-estar. Nós procuramos o que nos faz sentir mais aptos a conseguir conquistar aquilo que desejamos. Shoegaze hipnótico, sintetizadores que também falam, lamentos obsequiosos, Henge Beat lança chamas! Já não há nada de novo; há aquilo que nos faz entrar em êxtase, e que nos faz entrar em êxtase pela primeira vez quando a ouvimos à terceira vez, ou à primeira…
«The hammer is coming down. To take pills to remember to take pills to forget. These are not the last days».
Henge Beat é um disco de referência. Mas porquê de referência? Porque é um disco completo, fascinante, denso sem se tornar aborrecido num único refrão, num único riff. Para os amantes do punk, do pós-punk e new-wave, este álbum vem reabilitar a sobrevivência de um mito adormecido, desde a morte prematura de Ian Curtis. A escuridão inofensiva, a que não faz mal, aquela que nos faz pensar obsessivamente na morte, no fim, na tragédia do amor intangível e na incapacidade de lidarmos com as nossas frustrações. Depois há também as reminiscências industriais, as pancadas sistemáticas, o legado Cabaret Voltaire embelezado por camadas estéticas menos cruas. Na realidade, os Total Control têm uma identidade muito singular. Ainda que constituídos por vários elementos de outras bandas, este agrupamento específico não se confunde. É puro de sangue.
Então e o que devemos fazer com tudo isto? E quem sou eu para dizer neste epílogo persuasivo que, embora Henge Beat não seja o álbum de todos os tempos, Henge Beat pode ser um álbum para todos os tempos? Eu oiço o que quero e o que faz de mim uma pessoa mais atenta à beleza das emoções.
Mas esta é apenas a minha opinião.
