Tinham vindo a Paredes de Coura em 2024 e chegaram agora a Lisboa – eis a estreia dos Superchunk na capital, vibrante e convincente.
Demorei a chegar aos Superchunk, como aliás demorei a chegar a várias bandas do seu campeonato, aquele lado B do rock americano que acontecia, enquanto os holofotes estavam centrados nas bandas de Seattle. Falo de uns Dinosaur Jr., de uns Guided By Voices, de uns Fugazi, mas também de bandas punk que os influenciaram como uns Buzzcocks e uns Mission of Burma. Mas, tal como escrevi no título, mais vale tarde que nunca, pelo que aqui estou, com o tempo do meu lado por ter tido a possibilidade de os ver ao vivo numa pequena sala, que será o seu ambiente mais natural (a doutrina DIY, que tanto professam, assim manda).
Para contexto histórico, importa também salientar a importância de Ralph Lee “Mac” McCaughan e Laura Ballance (baixista fundadora, que continua a gravar, mas foi forçada a retirar-se dos palcos em 2013 devido a uma hiperacusia, forte sensibilidade para sons) na cena alternativa, com a fundação da Merge Records.
O concerto foi uma lição de como envelhecer no rock sem perder uma gota da energia que os tornou um dos segredos mais bem guardados de Chapel Hill (Carolina do Norte). Sem grandes cerimónias, o quarteto entrou em palco e fez exatamente aquilo que o público esperava: uma sucessão de canções tocadas a alta velocidade, com uma intensidade contagiante. Uma música terminava e outra arrancava imediatamente, quase sem espaço para respirar. Pouca conversa, muita guitarra de Mac, o único sócio fundador da banda ainda no activo. Fez-se acompanhar pelo guitarrista Jim Wilbur (na banda desde 1990), a baterista Laura King, e a baixista Betsy Wright (que têm outros projectos paralelos) e mostrou um pouco de cada um dos seus treze álbuns de estúdio, entre os quais o mais recente Songs in the Key of Yikes, do ano passado.
O lado menos positivo foi a pouca adesão de público (talvez a concorrência da época de festivais tenha desviado gente), mas quando olhas à volta e vês vários membros de bandas portuguesas presentes, significa que alguma coisa os Superchunk terão feito bem. Eventualmente já não terão o reconhecimento que merecem junto das gerações mais novas, mas os que marcaram presença, tiveram o privilégio de assistir a um concerto de entrega total.
Os poucos momentos de diálogo serviram também para alguns episódios curiosos. Ao ser questionada por Mac, Betsy admitiu, entre risos, não se lembrar se já tinha estado anteriormente em Lisboa — uma estranha falha de memória para uma cidade que costuma deixar marca em quem a visita. Mais à frente, surgiu uma alfinetada ao evento que nos enche os ecrãs de televisão no momento – “I like watching soccer, but fuck FIFA, they are spoiling it.”
Mais de três décadas depois da sua formação, os Superchunk continuam a provar que a fórmula nunca precisou de ser complicada: boas canções, volume alto e uma urgência que o tempo não conseguiu apagar.
Fotografias de Felipe Kido.


















