O Vortex delirou com as vibrações magnéticas dos Soul of Anubis que vieram mostrar Ritual, tão acabado de sair do forno que ainda fumegava!
Às tantas … com o concerto já algo avançado e depois de tirar algumas fotos do fundo do Vortex, fui atacado pela memória da atuação dos High on Fire no último dia do Sonic Blast de 2024. A ligação entre a mítica banda californiana e os nossos Soul of Anubis parece-me muito clara. Não é, de forma alguma, e ainda bem, uma relação próxima da tipologia banda tributo, mas sim um “para fãs de” que me habituei a ver nos anúncios de editoras de metal quando ainda tínhamos a Loud em papel. Ainda assim, a tal evocação de que falava há pouco é de outra dimensão. Voltando às dunas da praia do Caldeirão, as minhas expectativas eram quase tão colossais quanto o som da banda, mas foram atropeladas pelo exagero decibélico da coisa. Nessa noite fugi para o fim do recinto para tentar perceber qual eram mesmo os temas que o trio estava a tocar. Na passada sexta-feira, dei por mim num movimento completamente oposto. Não foi por o volume estar demasiado baixo, porque não estava … bem pelo contrário. Parecia era que as colunas estavam impregnadas de uma magia magnética que me puxava para a frente que nem um agueiro!
O duo de Oliveira de Azeméis composto por Hugo Ferrão (voz e guitarra) e Rui Silva (bateria) enche o palco, toma-nos os ouvidos e invade-nos a mente com intensidade, pujança e muito muito peso … mas deixa-nos ar para respirar, há muito espaço negativo nas composições dos Soul of Anubis e muito groove para compensar a sujidade dos riffs, dos efeitos de guitarra e da voz de Ferrão! Ritual é o segundo álbum da banda e, para previlégio dos presentes, foi estreado e lançado ali … mesmo à nossa frente, enquanto éramos engolidos! Os novos temas dominaram a setlist, servindo de motor de arranque para a série de audições repetitivas do álbum que já se iniciou nos meus headphones! Para o fim, em jeito de sobremesa, o duo atacou o clássico “Green Machine” de uns tais Kyuss! Concertaço … a repetir, definitivamente!
Para iniciar a noite, os Soul of Anubis convidaram os Vengeful Fate e a aposta foi ganha sem espinhas e sem “mas”. Num registo muito diferente dos cabeça de cartaz, já lá iremos, o jovem trio não se deixou levar por nervoseiras ou pela timidez. Aliás, é preciso tê-los no sítio para trazer de volta um som há muito prescrito por ouvidos menos resistentes a modas e a narrativas absolutistas. Sim, é verdade, estes moços devem ter nascido muito depois do lançamento de Korn, Toxicity, Iowa, S.C.I.E.N.C.E. ou Get some, mas trazem o nu-metal nas camisolas e nos corações. Sem mostrarem os tais medos e sem caírem nos clichés do estilo, os Vengeful Fate atacaram a noite de dentes cerrados e com o prego a fundo. Só descansaram mesmo quando sentiram o mosh e os abanões frenéticos a condizer com o ritmo das malhas. O primeiro registo da banda está anunciado para este ano e, por isso, mantenhamo-nos atentos.
Fotografias de Rui Gato



























