Lindsay Jordan está de volta. Ricochet é o mais recente disco de Snail Mail, cinco anos depois de Valentine, e finalmente desprendida do rótulo de nova esperança do rock, apresenta o disco mais coeso da sua discografia.
Mais ornamentado com cordas, mas sempre levado pelas guitarras, Ricochet fala de temas mais maduros, ou melhor, de perspetivas mais adultas. Como indica a editora Matador Records nos textos que acompanham o lançamento do disco, “este é um álbum sobre entender e aceitar que o mundo continua a girar independentemente do que acontece na tua pequena vida.”
Ao longo das 11 canções o disco sente-se muito mais coeso instrumentalmente que os anteriores e para isso, é importante destacar que Jordan mudou um bocado a sua forma de criar as canções. Porque este é o culminar de um trabalho que começou quatro anos antes, quando a cantora/compositora decidiu estruturar e criar as melodias antes de começar a escrever as letras, o que, de acordo com a própria, fez com que deixasse de sentir a pressão de cada tema isolado, que na altura de montar o disco, poderia ficar de fora.
O resultado é um álbum muito equilibrado, onde as canções fluem entre elas sem que nunca se note um sobressalto estilístico. Podia isto querer dizer que nenhuma canção se destaca, ao longo dos 41 minutos e 20 segundos de Ricochet, mas não é essa a verdade.
Logo a primeira, “Tractor Beam”, representa esta mudança ou maturidade de Snail Mail. Soa a si mesma, mas há aqui algo mais pensado e a voz de Lindsay Jordan soa mais segura, menos urgente mas mais firme. A seguinte “My Maker” explora mais o tema do disco, da tal aceitação (um pouco nihilista) de que independentemente dos teus problemas pessoais, a vida continua. “another year gone by/ what if nothing matters/waiting round to die/to see what happens after” reflexiona Jordan. Mas o curioso é que a abordagem é mais pensativa que derrotista. A terceira canção, “Light on Our Feet” explora os amores antigos, mas o tema do mundano e do transcendente é recorrente em Ricochet. “Dead End”, uma das mais memoráveis do disco, também é sobre amores passados, e tem umas paragens e subidas a falsete que podem (deviam) fazer desta canção um hino indie para este ano.
“Butterfly”, mais otimista e mais rápida, tem uns toques a algum rock dos anos 90, será excelente ao vivo e é talvez a mais surpreendente. Já “Hell” soa mais a Snail Mail dos anteriores trabalhos.
A faixa título, “Ricochet”, tem algo de “Something in the Way” de Nirvana e é outro tema fortíssimo, onde as cordas abundam, mas a voz de Jordan se mantém firme e tem um verso que acho que encapsula perfeitamente os temas deste disco.