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Rita Vian || Teatro Tivoli BBVA

Rita Vian apresentou CAOS’A naquele que foi o primeiro concerto em nome próprio em Lisboa. Prestação curta mas intensa e a prova que os elogios que tem recebido não vieram ao acaso.

A fórmula que junta as influências do fado com outras linguagens mais urbanas e electrónicas já não é propriamente nova. Foi tentada nos últimos anos, com sucesso, por vários projetos. Agora é Rita Vian quem o faz, de uma forma simples, descomprometida e sem artifícios. Um pouco como daquelas vezes em que ouvia as músicas cantadas a capella em casa dos avós, onde cresceu.

Terá sido esse o empurrão que lançou Rita Vian na música? Depois de ter passado pelos Beautify Junkyards, assumiu a sua identidade e foi soltando alguns temas que cedo chamaram a atenção no meio digital. “Diágonas”, “Sereia” e “Purga” apanharam a pandemia pelo meio, infortúnio que não impediu o fundador dos Buraka Som Sistema, Branko, de partir para a remistura de “Sereia” e agarrar na produção do primeiro disco de Rita Vian.

CAOS’A, o registo de cinco temas que tem vindo a ser apresentado por estes dias, traz Rita Vian a um palco minimalista despido de acessórios, apenas acompanhada por João Gomes, o responsável pela “maquinaria” que debita as batidas que dão corpo às palavras de Rita. E nesse jogo, o da interpretação das palavras, Rita Vian vai surpreendendo os mais desatentos pelo bom uso que faz delas.

Pelo meio, também se medem forças entre tradição e modernidade ou sombra e luz. Não no sentido de desafio mas sim no sentido de complementaridade onde uma batida arrastada pode encontrar uma voz luminosa. E por isso, esse contexto musical parece fazer todo o sentido, acabando por lhe merecer rasgados elogios vindos da imprensa nos últimos meses.

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Texto e Fotografia: Hugo Amaral

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