“Um palco sem nada a não ser um micro, uma cadeira e um leque de pedaleiras espalhados pelo chão. Tão simples quanto isso.”, escrevia-se noutro dia aqui, numa entrevista que o Altamont fez a Rui Carvalho, esse grande Filho da Mãe, no Jardim da Estrela. Acrescento apenas a companhia do copo de whisky, em cima da coluna, e todo o cenário que eu tinha imaginado com tal descrição faz sentido!
Num concerto de poucas palavras como este é mais fácil darmos largas à nossa imaginação. À medida que as músicas nos são apresentadas, é possível fantasiar tudo e mais um par de botas. Nem precisamos de saber que nome deu este Filho da Mãe às suas músicas. Ali isso não interessa. Ouvimos e conseguimos sonhar, sorrir, chorar, sofrer, viajar para outro lugar, velejar até ao horizonte, correr para chegar ao pé de alguém, ou mesmo fazer daquela música a banda sonora do que mais nos atormenta a mente nesse momento da nossa vida. Vamos até onde quisermos, porque aquele Filho da Mãe, a sua guitarra e aquele simples cenário permitem tudo isso.
Apenas nos lembramos que estamos numa sala de espectáculos a assistir a um concerto de Rui Carvalho e sua guitarra quando nos tentamos concentrar na velocidade das suas mãos e no sapateado dos seus pés. Como é que é possível tantos sons e tantas melodias com apenas duas mãos e dois pés? É possível e juro que parece fácil!
