Canção do dia

“Reach Out I’ll Be There” – The Four Tops

Em 2019 foi editado o documentário Hitsville: The Making of Motown que, como o nome indica, procura mostrar os inícios da Motown, a editora mais importante da música popular norte-americana (afirmação indiscutível!), e a forma como produziu dezenas de canções intemporais.

O documentário aborda os inícios modestos da editora com Berry Gordy e o seu melhor amigo, Smokey Robinson, e a forma como revolucionaram o mundo da música, criando uma fábrica de fazer canções. Havia os compositores, os músicos, os cantores, os coreógrafos, os publicitários, os distribuidores, trabalhando todos num só sentido: vender, vender, vender! E se venderam.

E a base do sucesso estava nos compositores da Motown: Smokey, Norman Whitfield, mas, acima de tudo, a tripla Holland–Dozier–Holland.

Martha and The Vandellas, Marvin Gaye, as Supremes e os Temptations. Todos cantaram canções escritas pelos três compositores de serviço. E uma das melhores canções a sair da mente da equipa maravilha foi “Reach Out I’ll Be There”, interpretada inicialmente pelos Four Tops.

Levi Stubbs esgatanhava-se todo para atingir o tom da canção (Holland-Dozier-Holland queriam mesmo este efeito) e a energia a interpretá-la era tanta que ao fim de a tocar  ao vivo estava, invariavelmente, alagado em suor (as luzes escaldantes dos palcos não deviam ajudar). As flautas, o baixo e a percursão cavalgantes, e os coros sublimam a interpretação do vocalista que parece que canta com as lágrimas a saírem-lhe directamente da garganta. A canção tem um sentimento de filme de cowboys e de desolação, mas com uma energia contagiante, como se John Ford não tivesse sido realizador, mas compositor de canções.

Diana Ross haveria de gravar a mesma canção, mas substituindo a energia crua pela sensualidade suprema. Em comum? A genialidade de Holland–Dozier–Holland.

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