PZ bebe uma bebida a ver o mundo desmoronar-se, no seu primeiro disco totalmente em inglês e marcado pela estrutura rock.
A bater os 20 anos de carreira, PZ continua sem dar qualquer sinal de abrandar. A sua pulsão criativa já era por demais evidente, não apenas pelas músicas e pelas letras, mas também pelos trabalhos conceptuais e até pelas manobras originais na promoção dos discos. Agora, chegou uma nova fase, e PZ vestiu um novo fato e um novo nome: Joe Zé.
Há duas grandes novidades neste Apocalypse later. A primeira é que esta é a estreia de PZ, ou Joe Zé, num disco totalmente em inglês. A segunda é que as batidas e a base electrónica deram lugar ao mais tradicional som orgânico que é a base do rock n roll: bateria, baixo, guitarra e voz.
Sobre a língua, não parece haver realmente um plano de internacionalização para este tipo que faz as músicas em casa. “As músicas pediam” é uma explicação tão boa como qualquer outra.
Na estrutura musical, o que muda é o modo, até porque continua a ser PZ a tocar tudo o que se ouve. O que esta mudança traz é um registo mais linear e menos carregado de pormenores (algo em que a electrónica facilita muito), mas em que o groove do rock n roll está bem presente.
E como tem vindo a ser habitual com PZ, também Apocalypse later tem um tema. Neste caso, é uma reflexão deste mundo de Donald Trump, das loucuras populistas, de uma América vitaminada a gasóleo poluente e a testosterona descontrolada e algo ridícula, diga-se.
As letras, que sempre foram um dos trunfos de PZ, continuam mordazes e certeiras, de que são exemplos o single “Blame it on other people”, na balada “The day TS became legit” (e TS é referente a Taylor Swift, sim), ou em “The shithole countries”. Apesar de tudo, perde-se alguma coisa nesta transição, algum do humor nonsense de que tanto gostamos e aquele sotaque nortenho que é sempre uma mais-valia.
PZ continua a divertir-se e a dar-nos boa música, encontrando novos caminhos e novos desafios criativos. Ainda bem.