Um disco muito poderoso e que envelheceu bem, sendo um dos trabalhos mais subvalorizados de Placebo.
Um dos mais tocados, sem dúvida, no carro desta Altamont, este trabalho de Placebo é um dos discos mais subvalorizados da carreira do coletivo liderado por Brian Molko.
Não sendo um disco tão aclamado como os primeiros da banda (todos excelentes e muito indicados para ouvir em angústia adolescente, ou não fosse uma das músicas mais conhecidas do primeiro disco, Placebo, chamar-se precisamente “Teenage Angst”) também não é muito justo o lugar de esquecimento a que foi votado.
O disco abre logo bem, com a faixa que dá nome ao álbum: “Meds” é uma canção poderosa, com uma guitarra frenética logo a começar, baterias intensas que se cruzam perfeitamente com a voz de Molko e a que se junta a participação de Alison Mosshart, dos The Kills (apropriado, também existe nos The Kills muito sofrimento existencial), criando uma canção icónica, que não perdeu a força com os anos.
A intensidade, contudo, abranda logo de seguida. Na verdade, é um disco feito de altos e baixos: uma música boa, uma assim-assim. “Drag” é também interessante, sobretudo pela letra (“you’re always ahead of the game, I drag behing); temos a habitual balada com “Follow the cops back home”. “Post Blue” regressa à guitarra poderosa, com riffs intensos e letras dolorosas (“Bite the hand that feeds, Tap the vein that bleeds”).
A meio chega a canção de amor: “Because I Want You”, onde o ritmo mais ligeiro nem parece cantar canções de separação (“This house is no longer a home”); e é, a par de “Meds” uma das preferidas desta escriba, de toda a discografia.
Destaque ainda para “Broken Promise”, que conta com a participação de Michael Stipe, dos REM, outra das favoritas, um portento de guitarras, intercalado com piano sentimental. E, a fechar, outra grande canção: “Song to Say Goodbye” (“My oh My…”), cheia de ódio e sentimentos de raiva – uma das melhores canções de separação.
É, sobretudo, um disco que envelheceu bem. E que, quando comparado com os novos trabalhos que os Placebo lançaram, ganha uma nova densidade e importância. É melhor do que os trabalhos mais recentes, sem dúvida, e isso faz ouvi-lo com outra atenção – as angústias podem já não ser adolescentes, mas continuam a existir.