Música
Lembro-me de um anúncio – daqueles de venda directa nos quais os pesadelos do avanço da idade (calvície e as tais pegas de amor) se resolviam ali, ao vivo perante uma plateia atónita – em que se promovia um colectânea para “road trips”. Se a memóra não me falha, tudo começava com um Range Rover num dia de chuva londrino. O homem, distinto, vestindo um fato cinzento, preparava-se “for another day at the office” com o ar de enfado comum a todos os que arrancam para uma semana de trabalho. Vai daí, sacava da extensa colectânea de CD’s que o tal spot publicitava e logo lhe nascia um sorriso de orelha a orelha enquanto trauteava os versos de “Sweet Home Alabama” a caminho do escritório. A imagem é simples e acertada: a música é a única arte inclusiva, no sentido em que podes apreciá-la enquanto vives. Mais. A música é a única arte que reactiva a memória: se ouvires determinada canção, serás levado para o tempo e circunstâncias em que ouvias essa mesma canção.
Acho que é mais ou menos isto, e que isto é mais ou menos consensual.
Já agora, uma lista de músicas “road trip” para que a malta curta enquanto viaja – sim, são comerciais, algumas delas até básicas, mas fazem todo o sentido. Juntem as vossas.
“Free Bird”, Lynyrd Skynyrd
“Summer 69”, Bryan Adams
“Glory Days”, Bruce Springsteen
“Rocks”, Primal Scream
“Bad Moon Rising”, Creedence Clearwater Revival
“Hey Jude” (claro), The Beatles
“Time”, Pink Floyd
“Are you gonna go my way”, Lenny Kravitz
“Simpathy for the Devil”, Rolling Stones
“Whatever”, Oasis
“Beetlebum”, Blur
“Smels like teen Spirit”, Nirvana
“Yesterdays”, Guns’n’Roses
“Welcome to the jungle”, idem
“Dirty Boulevard”, Lou Reed
“The Bucket”, Kings Of Leon
“Bohemian like you”, Dandy Warhols
…. e por aí adiante
Highway to Hell, life is a highway, born to be wild, bad to the bone, hit the road jack, on the road again…