Que lindo disco é este terceiro trabalho de Nilüfer Yanya. Um miminho para os ouvidos do início ao fim.
My Method Actor, novo trabalho de Nilüfer Yanya, apanhou esta escriba totalmente desprevenida. Desconhecendo os discos anteriores da artista britânica, que em 2019 lançou o primeiro trabalho, Miss Universe, cheguei lá agora por boa recomendação Altamont, claro, e o que descobri foi um bonito disco indie-rock, recheado de boas canções, cantadas por uma voz cheia de recheada de sentimento.
São onze músicas que compõem um disco bem produzido, com coerência do início ao fim, guitarras fortes quando necessário e leveza e suavidade em doses certas. A voz é cheia, grave mas doce, cantando em tom ora torturado ora triunfante.
Começamos logo com “Keep on Dancing” que, na verdade, começa e acaba abruptamente, o que nos deixa logo alerta. O que é isto que estamos a ouvir. Segue-se o single, “Like I Say (I runaway)” uma excelente faixa rock. O disco avança bem para “Binding” (a primeira faixa que ouvi), uma delícia de balada, lenta, sensual, melancólica, para ouvir em repeat.
Em “Mutations” temos a visita surpresa do violoncelo da irlandesa Clíona Ní Choileáin, com um efeito arrepiante numa já bonita canção, funcionando quase como um libertar do ambiente opressivo da música. A fechar, “Wingspan”, som etéreo, como se voássemos, acompanhados pela voz de Yanya.
Letras bem conseguidas, fruto da parceria com a letrista Wilma Archer, tornam o disco não só um miminho para os ouvidos, mas também para os sentimentos. Com uma dose suficiente de experimental, sem perder o fio condutor rock, com canções sólidas que, cada uma delas, pode ser um single. É um disco coeso, talvez por ter sido trabalhado apenas com um produtor, sem demasiados artifícios, mas com canções cheias.
Chegando ao fim, queremos voltar ao início e repetir tudo outra vez. Se só puderem ouvir com atenção um disco hoje, então que seja este.