Os Molchat Doma já tinham chamado à atenção com várias músicas que acabavam por entrar em compilações de Darkwave e foram uma trend no TikTok, mas em 2024 deram o passo em frente com Belaya Polosa. Um disco que apetece ouvir uma e outra vez.
Este é o quarto disco dos bielorrussos radicados em Los Angeles e comprova-se que a melancolia pós-soviética é algo que não se perdeu, nesta mudança de ares. Estão em Belaya Polosa, obviamente, as referências anteriores, de Bauhaus, Tangerine Dream, The Cure e Depeche Mode. Neste synth-pop gótico inspirado nos anos 80, e muito inspirado por si só, a banda já se sente confortável sem ter de imitar. Os nossos ouvidos, e a nossa idade e conhecimento musical, vão traçar comparações a outras bandas, e a discotecas escuras (estou a pensar no extinto Metrópolis em Lisboa, claro) com noites rápidas. Mas isso é um caminho paralelo indiferente aos bielorrusos californianos.
Os Molchat Doma conseguem, neste Belaya Polosa, um trabalho de uma integridade sonora de princípio ao fim, dominado, claro está pelas baterias sincopadas, os coros de teclados e muito, muito eco.
As músicas conseguem o feito de soarem coesas no disco mas fortes por si só, como a primeira canção do álbum, “Ты Же Не Знаешь Кто Я / Ty Zhe Ne Znaesh Kto Ya”, que exala algo de Joy Division, ou os baixos mais presentes da evolução para New Order, em “Сон”, também com pinceladas de Sisters Of Mercy ou Depeche.
As canções são todas cantadas em russo e para saber algo sobre elas além da emoção tive de recorrer a ajudas, mas não sinto que seja algo essencial à experiência. De lamentos a confissões, entende-se bem o estilo e os temas, que não são muito diferentes de outras bandas do estilo. Melancolia, amor, solidão, espera. Molchat Doma, cujo nome se traduz por “Casas Silenciosas” e é composta por Egor Shkutko, Roman Komogortsev e Pavel Kozlov, também tem toques de Talk Talk, como por exemplo em “III”, a canção mais rápida de todo o disco, ou algo mais contemplativo em “Черные Цветы / Chernye Cvety”.
Mas entre todas as bandas deste universo synthpop/gótico conseguem, neste Belaya Polosa, apresentar uma proposta sonora que nos leva a viajar.
Como a ideia não é eu ficar aqui a nomear as minhas bandas preferidas, fiquem com a ideia. Isto é bom. Merece ser ouvido.
Vão ouvir.
De preferencia, bem alto.