No seu disco de estreia, Lisa Sereno cruza a folk clássica com uma pop etérea e delicada. Belonging, editado pela Omnichord, é um exercício íntimo e nostálgico sobre o desejo de pertença, a solidão emocional e o desequilíbrio nas relações.
Lisa Sereno é o nome artístico de Maria João Lameiras, cantautora de Leiria que, no final de 2025, apresentou o seu disco de estreia, Belonging, editado pela Omnichord. Desde logo, o álbum revela uma identidade muito própria, construída a partir do cruzamento entre a folk americana clássica e uma pop etérea de contornos contemporâneos, resultando numa sonoridade intimista e marcada por um subtil tom nostálgico.
Belonging, como o próprio título sugere, explora a necessidade de pertença. Tal como a artista refere no press release, o disco desenvolve-se em torno do desejo de fazer parte de algo ou de alguém, de relações atravessadas por um amor assimétrico, pela solidão emocional e pela tensão constante entre idealização e realidade. Ao longo das canções, emerge também o cansaço de dar sem receber e a forma como a liberdade do outro se pode transformar numa fonte de dor.
A sonoridade do disco acompanha e amplifica os sentimentos expressos nos poemas das canções. Há um ambiente nostálgico, sem cheiro a naftalina, que nasce da combinação entre um folk com raízes nos anos 60 e 70 e uma pop fresca e etérea, onde a voz de Lisa Sereno se afirma com delicadeza e emoção.
Belonging é, assim, um disco que não só dá prazer a ouvir, como também desperta a vontade de dançar e flutuar, de vestir longos vestidos boémios e andar descalça pelo campo. Imagens que, neste contexto, só podem ser coisas boas.