Canção do dia

“I Wish I Was Stephen Malkmus” – Beabadoobee

Nasci em 1993, o início de uma grande década para o rock. Havia o grunge, com os Nirvana e Pearl Jam à cabeça; o britpop, com os Oasis e Blur; para não falar de discos camaleónicos que viriam a marcar décadas vindouras, como o “Ok Computer” dos Radiohead,  “Grace” do Jeff Buckley ou “Wowee Zowee” dos Pavement. Não posso dizer que assisti à revolução dos 90s em primeira mão, tinha menos de sete anos, mas posso dizer que foi a minha porta de entrada para a minha melomania – e o mesmo deve poder dizer Baetrice Laus a.k.a Beabadoobee.

Nascida em 2000, fez em 2019 uma canção que poderia ter saído em 1995: “I Wish I Was Stephen Malkmus.” Ora sujas, ora limpas, as guitarras alinham-se à boa moda do grunge, enquanto Beatrice arrasta a voz ainda imatura, culminando num refrão de encher a orelha. Apesar de ser sub-20 em 2020, diz chorar no quarto ao som de Pavement enquanto usa uma flanela de invejar a qualquer cabeludo de Seattle da década de noventa.

“I Wish I Was Stephen Malkmus”, assim como qualquer canção do disco Space Cadet, é o revival possível de uma era de ouro das guitarras elétricas. Os meus primeiros contactos com música foram feitos com as guitarras de Cobain, Cornell, McCready, Corgan e Cantrell, que me moldaram para estar a ouvir em 2007, com toda a autonomia de um rapaz de 14 anos, bandas como Arctic Monkeys, LCD Soundsystem e Arcade Fire, que grandes discos que lançavam nesse ano. É graças a Beabadoobee, ou a outras novas rockers como Snail Mail ou Soccer Mommy, que uma nova geração vai voltar a distorcer guitarras — como a slacker generation dos 90s que tanto nos deu.

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