Um punhado de bandas e kilojoules de iniciativa levaram à Sociedade Recreativa Operária Santarém a felicidade de fazer e ouvir boa música independente. Fixem o nome Friarfest, … é mais um para o nosso mapa de eventos obrigatórios.
A ideia inicial desta excursão a Santarém era ir até à Casa do Campino para cobrir as Cartaxo Sessions, mas depois os planos mudaram um bom bocado. Primeiro veio a excelente notícia de que o carro estaria cheio. Isto da música, e da estrada, com a companhia de bons amigos sabe muito melhor! Depois, descobrimos que os Chat GRP tocariam em Santarém, e após experimentar um concerto destes quatro diabos, é praticamente impossível evitar a reincidência. Mais tarde descobrimos que tal concerto fazia parte de um evento com mais bandas e foi assim que descobrimos o Friarfest. Para adictos da música independente, é extremamente difícil dizer que não a estes estímulos e a viagem foi muito antecipada para o início da tarde.
A outra mudança de planos veio poucos minutos passados de chegarmos à Sociedade Recreativa Operária (SRO) de Santarém – onde decorreu o Friarfest. A ideia era curtir a tarde e dar descanso à câmera e à caneta para que trabalhassem com mais entusiasmo durante a sessão noturna. Depois de sentir a fabulosa energia que inundava a SRO e de ficar novamente encantado com a alegria e a vontade de nos pôr música na mesa de mais um bom punhado de jovens melómanos, ambas (câmera e caneta) saltaram-me quase imediatamente para as mãos e toca a registar!
Foi por causa dos planos iniciais que apenas chegámos ao SRO a meio da contenda e que, por essa razão perdemos as atuações dos oureenses Chess Club Champions e os escalabitanos Last Chance. As minhas sinceras desculpas a ambas as bandas por não poder relatar mais do que as boas impressões descritas por aqueles que os (ou)viram. Fica para uma próxima! Desta forma, para a minha trupe a tarde começou com os Vengeful Fate. Tinha-os visto há menos de 48 horas na Bota e a promessa que ali deixaram foi novamente cumprida – apesar do sol escaldante e de alguns percalços técnicos. Este trio não facilita e deixa tudo o que tem em palco para espalhar a sua arte.
De seguida, acrescentei mais um belo registo à lista “bandas mesmo fixes que descobri no Vortex”. No início do ano, os Roy Batty abriram para os Prado na mítica cave das Olaias e na altura disse para mim (e já agora para o Altamont) que queria voltar a vê-los e cá está – vivam as mudanças de planos! Se já tinha gostado da primeira vez, gostei ainda mais desta. O quarteto casa como poucos a pujança sónica característica do post-hardcore e do noise com uma afinada sensibilidade melódica. Fiquei ainda mais fã! Fantástico!
Para o final, lançaram-se os foguetes, apanharam-se as canas e instalou-se a festa na cidade. Não houve chill-out no sunset, houve Chat GRP no pôr do sol escalabitano, com umas belas dezenas de almas a juntarem-se a Pedro Gato nessa bela tarefa de juntar novas vidas. A brincar a brincar, Cabrita e companhia fazem boa música a sério e não nos deixam descansar um segundo que seja. Eu ando a construir uma teoria que a banda nasceu de um cruzamento muito pouco provável entre os Ena Pá 2000 (menos a brejeirice) e a Rollins Band – sobretudo se o mestre Henry tivesse provado por uma vez um belo medronho. Preciso, no entanto, de mais música para a testar (à teoria) e atestar o depósito da 4L Espacial. Venha daí um disco novo, por favor!
Fotografias por Rui Gato.


































