Reportagens

Fat White Family || Lisboa ao Vivo

Na primeira vez dos Fat White Family em Lisboa, a banda oriunda de Londres devolveu as expectativas com elegância e carisma e, num ritmo constante, os músicos conseguiram pôr todos a levantar os pés do chão.

Foi no dia 5 de Fevereiro que os ingleses Fat White Family vieram, pela primeira vez, a Lisboa, mais precisamente ao LAV, para apresentar o seu mais recente álbum Serfs Up.
A primeira parte esteve entregue à banda portuguesa Cancro, projecto recente de Tiago Lopes, José Penacho e Fábio Jevelim (os dois últimos, membros de Riding Pânico), que procuraram agitar o público, que lentamente se ia formando, com o seu punk agressivo e provocador, num morno aquecimento para os que já estavam pela sala do LAV (alguém chegaria inclusivamente a perguntar pelo fim da actuação, ao que Tiago Lopes retorquiria com “são só mais 15 minutos”). Os Cancro terminaram a sua performance ruidosa e, ainda que com momentos mais bem conseguidos do que outros, cumpriram o papel de preparar o público para os Fat White Family.

Confirmando a pontualidade britânica, às 22h, a banda chegou e entregou-se logo à comoção do público que os esperava, reflectindo toda a energia que caracteriza a sua música. Lias Kaci Saoudi, cara, corpo e, acima de tudo, alma da banda, revelou-se incansável na sua performance. Soube vestir a farda de rock psicadélico e sabe que lhe assenta na perfeição, movimentando-se pelo palco, do princípio ao fim, com humor e teatralidade, fazendo-se acompanhar por diversos momentos, pelo seu próprio prato de metal.
Numa sala bastante preenchida, os músicos foram conduzindo, com as suas guitarradas electrizantes e o som metálico do saxofone de Saul Adamczewski, um público em constante movimentação.

Já a meio do concerto, Lias introduziu o “momento menos frenético” do concerto para entoar “Bobby’s Boyfriend”. Mas a pausa foi breve e logo a seguir, resgataram-nos de novo para o seu rock com “Special Ape”, “I Believe” e “Feet”, o single de maior sucesso que dedicariam aos “racistas da Pitchfork” (em referência ao conflito entre ambas as partes nas redes sociais em 2017), dando mostras da língua afiada que tanto os caracteriza.

E assim foi, até ao fim do concerto, num ritmo constante, que os músicos britânicos souberam devolver as expectativas com elegância e carisma, com um alinhamento sem grandes surpresas mas bastante coeso que pôs muitos a levantar o pé do chão. Depois de uma hora e quinze minutos e à semelhança da actuação no Porto, no Hard Club, os músicos terminariam o concerto de forma algo abrupta e sem despedidas apoteóticas, para a desilusão de algumas pessoas.

A faltar ficou, sem dúvida, o êxito “Tastes Good With the Money”, canção perfeita para encerrar a noite, no encore que ficou igualmente por se realizar. Mas ainda assim, foi uma noite bem cumprida, com espaço para muita dança e sorriso na cara.

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Fotografia: Cecile Lopes

Alinhamento:

  1. Auto Neutron
  2. I Am Mark E. Smith
  3. Tinfoil Deathstar
  4. Fringe Runner
  5. Heaven on Earth
  6. Touch The Leather
  7. Hits Hits Hits
  8. Cream of the Young
  9. When I Leave
  10. Bobby’s Boyfriend
  11. Special Ape!
  12. I Believe in Something Better
  13. Feet
  14. Whitest Boy on the Beach
  15. Is it Raining in Your Mouth
  16. Bomb Disneyland
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