Depressão Emmy, trouxe uma lufada de energia positiva, rituais pagãos e a celebração da vida à cidade invicta!
O tempo passa mesmo a voar, para quem não acredita que pense nisto: a Catarina Miranda, que é como quem diz Emmy Curl, já nos dá música há 15 anos. Parece que foi ontem que começou a partilhar as suas composições no saudoso Myspace e, num piscar de olhos, já nos deu cinco álbuns, três EP’s e participou em inúmeras colaborações com outros artistas e projetos, já concorreu ao Festival da Canção em 2018 e este ano volta a participar nesse certame. O último álbum, intitulado Pastoral, foi editado no ano passado, tem sido aclamado pela crítica e foi o principal motivo da sua visita ao palco do M.Ou.Co, na cidade invicta, no passado dia 24 de janeiro.
Emmy Curl apresentou-se a solo, apenas ela e os seus instrumentos preferidos, desde uma guitarra acústica a alguns aparelhos eletrónicos que produzem beats, samplers e backing tracks que Emmy vai manipulando ao longo do concerto. Há muita cor, magia e encantamento no palco, a voz doce e melodiosa completa o quadro perfeito. Se outrora, as suas canções eram maioritariamente melancólicas e tristes, com este novo disco, há uma mudança, há uma alegria que se juntou às suas composições, há mais ritmo, cor e desejo em celebrar a vida.
Numa noite de inverno com muita chuva e frio, a sala esteva bem composta de gente que se identifica com a artista e a sua mensagem. A viagem sonora foi em grande parte pelo seu último trabalho, o álbum Pastoral, mas houve tempo para dar uns pulos a canções mais antigas, a uma versão sua de Zeca Afonso e algumas novas canções, que ainda não foram editadas e que dão melodia a sonetos do seu bisavô. Sempre muito comunicativa, com a partilha de pequenas histórias entre canções, houve ainda tempo para uma interatividade maior com o público, quando convidou uma menina a subir ao palco para cantar, consigo, uma canção. A menina, com idade de primeiro ciclo (digo eu), não só cantou como brilhou com a ajuda de Emmy Curl no palco do M.Ou.Co, provando o quanto é sua fã.
Quando a simplicidade, a leveza e o encantamento se juntam, tornam momentos em memórias boas e duradouras. Podia pesquisar mais uns quantos adjetivos para ilustrar o momento que vivemos essa noite, mas o superlativo de belo é perfeito para a qualificar: belíssimo!
Texto e Fotografias: Jorge Resende












