Electric Masochist e Terminal Filth vieram de Berlim até ao Vortex para acelerar partículas e abanar as estruturas.
Vamos partir do pressuposto que a maioria das pessoas achará que o que se passa no Vortex é só barulho e, pior, que é tudo igual! Blasfémia, não poderiam estar mais longe da verdade. Por outro lado, e nem vou pedir desculpa pela putativa sobranceria, ainda bem! A lotação da sala, como explicitamente anunciado pela organização, é de 110 lugares! Não há espaço para multidões tal como não haverá para o glitter meloso de recintos mais consensuais.
Não te percas, Rui! O assunto era o mito de que soa tudo igual. Olhemos para o que se passou na noite do passado sábado. Duas bandas de Berlim com uma série de tags (crust – d-beat – punk) nas respectivas áreas do bandcamp em comum e em total convergência com o visível tributo aos Discharge escarrapachado na guitarra que se mantém em palco (ver fotos) de uma atuação para a outra, que nem testemunho em estafeta olímpica. Sim, é muita coisa parecida … mas só se estivermos surdos, porque a partir daí os decibéis assumem caminhos (bem) distintos!
Para tentar fazer jus ao nome os Terminal Filth enriquecem as suas composições com elementos lamacentos característicos do sludge e do stench core e com um ataque duplo de guturais ao melhor estilo Death Metal que em algumas partes arriscam (e conseguem) trabalhar em conjunto, chegando mesmo a harmonizar em momentos particularmente pujantes. Confesso que gostei mesmo muito da atuação do quarteto berlinense, até porque guardei o doce para o fim da descrição – groove! É que peso e groove são das parelhas sónicas que melhor me acariciam os ouvidos!
Tal como nos passatempos dos jornais, os Electric Masochist envergam três diferenças que saltam logo à primeira vista. Em primeiro lugar, o groove desapareceu ou quase! Depois de enfiar um saco na cabeça, Rebecca ataca a bateria de forma maquinal e seca! A pancadaria não tem descanso … aliás, em paralelo com Igor que, sozinho, é responsável por duas das outras grandes marcas distintivas do som da banda: a metamorfose da guitarra (a tal com o logo dos Discharge) em berbequim demoníaco vai criando veios profundos pela plateia por onde escapam os dilacerantes lamentos derramados pelo citado gigante e repetidos em pleno êxtase por aqueles que se acumularam na fila da frente.
Voltando ao início, o Vortex não é só barulho, mas tem barulho … do bom! E a betoneira do título serve apenas para caracterizar a revolução de corpos que ambas as bandas causaram no cern(e) das Olaias!
Fotografias de Rui Gato





















